Andreza Matais

Próximo passo da Câmara será salvar Eduardo Bolsonaro e tirar Hugo Motta

Regimento exige assinatura dos sete membros da Mesa para declarar perda de mandato de Eduardo. Motta demonstrou que não tem maioria na Casa

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Metrópoles Entrevista Eduardo Bolsonaro. Brasília (DF) 18/12/2
1 de 1 Metrópoles Entrevista Eduardo Bolsonaro. Brasília (DF) 18/12/2 - Foto: null

O presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), vai precisar do apoio de todos os membros da Mesa Diretora para tirar o mandato do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) por faltas.

Embora o Regimento Interno da Casa determine que a ausência é punida com a perda do mandato, é necessário que os sete integrantes do comando da Câmara assinem o documento. Eduardo não trabalha desde março, quando fugiu para os Estados Unidos na tentativa de evitar o mesmo destino do pai.

A considerar o que se viu entre esta quarta-feira e a madrugada de quinta-feira (11/12), Motta pode não obter o apoio necessário para decretar a perda do mandato do filho de Jair Bolsonaro (PL).

Ao menos dois dos sete integrantes da Mesa Diretora votam contra na largada — Altineu Côrtes (PL-RJ) e Elmar Nascimento (União-BA). E não será difícil convencer mais dois.

Os votos para salvar uma deputada presa (Carla Zambelli) e um deputado que esmurrou um adversário político nas dependências da Câmara (Glauber Braga) são demonstrações da insatisfação dos partidos com Motta. Foragido, Alexandre Ramagem (PL-RJ) só não escapou da degola ainda porque a votação do seu caso será na semana que vem.

Nenhum presidente coloca uma pauta sensível para votar sem saber se tem os votos necessários para aprová-la. Ou Motta foi traído ou demonstrou um amadorismo que vai lhe custar caro. Já se fala, inclusive, num movimento conjunto entre PT e PL para tirá-lo do posto. Motta rompeu com os líderes dos dois partidos.

O argumento para isso é que ele perdeu as condições de controlar a Casa. A prova são os sucessivos episódios de motim no plenário. O último deles, quando Glauber Braga sequestrou sua cadeira, foi reprimido com violência, inclusive contra a imprensa, o que já é motivo suficiente para que Motta seja afastado, avaliam líderes com quem a coluna conversou.

A consequência imediata das votações de ontem é que, se o governo quiser aprovar qualquer matéria na Câmara, não tem mais com quem negociar.

Caberá ao Planalto partir para o varejo e negociar voto a voto com cada um dos deputados e senadores. O país já experimentou isso. Deu no mensalão, no petrolão, no orçamento secreto, na emenda Pix…

Como mostrou a coluna, a operação para salvar Glauber já é uma amostra grátis. De dentro do Planalto, a um andar do gabinete de Lula, André Ceciliano, do Ministério das Relações Institucionais, chantageou deputados do baixo clero a votarem com o governo se quisessem dinheiro em ano eleitoral.

O Executivo vai aproveitar a chance para fragilizar a atual composição de forças no Congresso e no Supremo. Hugo Motta já foi rifado. O poder de Davi Alcolumbre (União-AP) começa a ruir. Pela primeira vez, o governo mediu forças com ele ao ignorá-lo sobre a vaga no Supremo e, ontem, Alcolumbre começou a ter suas decisões questionadas em plenário.

Lula passou os primeiros três anos do seu governo encastelado. Demonstra agora, a menos de um ano das eleições, que está mais Lula do que nunca.

 

 

 

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?