PT vai acionar o STF após Câmara preservar mandato de Carla Zambelli
PT entrará com mandado de segurança no STF para garantir que decisão judicial seja cumprida e Carla Zambelli seja cassada
atualizado
Compartilhar notícia

O Partido dos Trabalhadores (PT) vai entrar com mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) após a Câmara dos Deputados manter o mandato de Carla Zambelli (PL-SP). O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, afirmou que o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), desobedeceu ordem judicial na condução do tema.
Na madrugada desta quinta-feira (11/12), a Câmara não atingiu o número mínimo de votos para cassar o mandato da deputada Carla Zambelli, que está detida em presídio na Itália após ser condenada a 10 anos de prisão pelo STF. O plenário apresentou 227 votos a favor e 170 contrários – seriam necessários ao menos 257 votos para a cassação.
“A gente está entrando com mandado de segurança no STF, pois a coisa foi conduzida de forma equivocada e errada pelo presidente Motta. A decisão do Supremo é clara. Na condenação da Zambelli, o ministro Moraes fala, em cima do artigo 55 da Constituição, que a mesa da Câmara tem que fazer o afastamento”, afirmou o deputado após a votação na Câmara.
De acordo com Lindbergh, o caso não deveria nem ter sido encaminhado à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa. “Motta criou um problema para si próprio. Como não cassa (o mandato de Zambelli) se tem decisão judicial para caçar?”, afirmou o líder do PT. “Estamos entrando com mandado de segurança para que o Supremo decida que o presidente da Câmara tem que obedecer uma decisão judicial”, completou. Confira a íntegra da fala:
PT vai acionar o STF após Câmara preservar mandato de Carla Zambelli. Saiba mais: https://t.co/Li1v5lvIFt pic.twitter.com/aIs4fXVcaR
— Pedro Grigori (@pedrohgrigori) December 11, 2025
Caso Carla Zambelli
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou o parecer que recomenda a cassação de Zambelli nessa quarta-feira (10/12). No entanto, o plenário da Casa não atingiu os votos necessários para tirar o mandato da deputada bolsonarista.
Zambelli está presa na Itália, onde aguarda o processo de extradição para o Brasil. Ela já está impedida de disputar eleições porque acumula duas condenações que somam 15 anos e 3 meses de prisão.
A parlamentar foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por participação intelectual na invasão aos sistemas eletrônicos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em parceria com o hacker Walter Delgatti. O caso envolveu a inserção de documentos falsos, como um mandado de prisão fabricado contra o ministro Alexandre de Moraes.
A outra condenação é por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal, no episódio em que perseguiu um apoiador do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com uma arma em punho, na véspera do segundo turno das eleições de 2022.
