Andreza Matais

Executivo da Azul defende reforma tributária e irrita concorrentes

Enquanto a Azul vê “oportunidade de ouro”, concorrentes falam em “desastre” e pressionam governo a manter regras de reciprocidade

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Gustavo Alcantara/Metrópoles
Banco de Imagens Aeroporto de Brasilia
1 de 1 Banco de Imagens Aeroporto de Brasilia - Foto: Gustavo Alcantara/Metrópoles

A reforma tributária abriu uma fissura no setor aéreo brasileiro. De um lado, a Azul Linhas Aéreas aposta que o novo modelo pode fortalecer a competitividade das empresas. De outro, concorrentes afirmam que as mudanças podem provocar aumento expressivo nos preços das passagens internacionais.

Em entrevista de capa à Revista da Reforma Tributária, Ricardo Temer, diretor de controladoria corporativa da Azul, classificou a mudança como uma “oportunidade de ouro” para o setor. Segundo ele, a empresa iniciou uma ampla revisão de contratos, sistemas, preços e malha operacional para se adaptar ao novo IVA dual criado pela reforma.

“A forma de implementação será determinante para capturar eficiência e evitar ineficiências ao longo da cadeia de valor”, afirmou o executivo.

Nos bastidores da aviação, porém, a avaliação predominante é mais pessimista e houve estranheza com a posição da Azul.

O CEO da Latam, Jerome Cadier, afirmou recentemente que a reforma tributária será um “desastre” para a aviação comercial brasileira. Segundo ele, a nova estrutura pode triplicar a carga tributária incidente sobre passagens aéreas e elevar os preços em até 25%.

“Vai mais do que triplicar o recolhimento de impostos sobre a venda de passagens aéreas”, declarou Cadier durante o Fórum Brasileiro de Aviação, realizado em Brasília pela Anac e pela Iata.

O principal ponto de tensão envolve os voos internacionais. Hoje, parte dessas operações conta com isenções e mecanismos de reciprocidade tributária firmados entre países para evitar bitributação e custos adicionais sobre as companhias aéreas. Com a reforma, o setor teme o fim dessa lógica em algumas operações internacionais, criando uma tributação inédita sobre bilhetes hoje isentos.

Representantes das empresas afirmam que o aumento da tributação tende a ser inevitavelmente repassado aos consumidores. A preocupação é ainda maior porque a aviação opera com custos dolarizados — combustível, leasing, manutenção e seguros — além de margens historicamente apertadas.

A discussão mobilizou também a Agência Nacional de Aviação Civil. Integrantes da agência vêm atuando junto ao governo para tentar preservar mecanismos de reciprocidade internacional considerados essenciais para manter competitividade e equilíbrio regulatório nas rotas externas.

Segundo relatos de integrantes do setor, o governo federal estuda publicar uma resolução para manter parte das regras atuais de reciprocidade aplicadas à aviação internacional, numa tentativa de reduzir insegurança jurídica e evitar aumento abrupto de custos para companhias brasileiras e estrangeiras.

A reforma começa a ser implementada em fase de teste em 1º de junho.

 

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações