Microbioma de Ötzi, o Homem de Gelo, segue ativo, indica novo estudo

Segundo os cientistas, as leveduras antigas que sobreviveram no corpo de Ötzi por 5,3 mil anos eram adaptadas a ambientes mais frios

atualizado

metropoles.com

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Eurac Research/Andrea De Giovanni
Imagem colorida mostra levedura de Otzi sendo estudada - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida mostra levedura de Otzi sendo estudada - Metrópoles - Foto: Eurac Research/Andrea De Giovanni

Mesmo após a morte há 5,3 mil anos, o microbioma de Ötzi, o Homem de Gelo, considerada a múmia natural mais antiga e bem preservada da Europa, segue repleto de leveduras e algumas delas ainda podem estar ativas. É o que revela um novo estudo liderado por pesquisadores italianos.

Naturalmente mumificado, Ötzi foi encontrado em 1991 por excursionistas alemães na Itália e, à época, foi levado para um laboratório para ser preservado e estudado. Ele foi conservado em uma câmara frigorífica a -6ºC, mas, segundo o novo trabalho, as cepas de leveduras presentes no corpo continuaram a se desenvolver, pois eram adaptadas às condições frias onde o homem vivia. 

As descobertas lideradas pelo Instituto de Estudos de Múmias, na Itália, teve os resultados publicados na revista Microbiome nessa quarta-feira (3/6).

Ötzi tinha micróbios antigos e modernos

O objetivo do estudo era avaliar se as leveduras presentes no corpo de Ötzi tinham capacidade de prosperar nas condições de armazenamento atuais. Foram analisadas amostras de secreção nasal e a água do microbioma interno e externo do homem, do solo que ele foi achado e do ambiente em que estava guardado. A partir dos dados, foi possível reconstruir o material genético e identificar os micróbios presentes.

Segundo os resultados, havia a presença de micróbios antigos e modernos – esses podem ter entrado no microbioma durante ações de conservação. Quanto aos mais velhos, estima-se que eles ficaram “dormentes” por 5,3 mil anos ou são descendentes das leveduras colonizadoras originais.

“Essas leveduras acompanharam Ötzi em sua longa jornada através dos milênios. O Homem de Gelo não é uma relíquia estática, mas um sistema biológico dinâmico“, afirma o coautor do estudo, Frank Maixner, em comunicado.

Em testes posteriores, os pesquisadores conseguiram utilizar algumas das leveduras para produzir fermento natural e fazer pão, demonstrando um possível potencial de aplicação delas.

Como próximo passo, os cientistas pretendem analisar se os organismos encontrados ajudam ou atrapalham a preservação dos restos mortais de Ötzi.

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