Fóssil marinho é achado com mais de 100 dentes e pedras no estômago

Além das pedras, o fóssil do réptil gigante foi achado com sinais de ferimentos, o que indica que ele estava com a capacidade de caça menor

atualizado

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Ilustração colorida mostra um ictiossauro - Metrópoles
1 de 1 Ilustração colorida mostra um ictiossauro - Metrópoles - Foto: Divulgação/Joschua Knüppe

Um ictiossauro fossilizado foi encontrado no município de Mistelgau, na Alemanha. Entre as peças achadas, foram identificadas a presença de mais de 100 dentes e várias outras partes do corpo do réptil. Ao analisá-lo, os pesquisadores descobriram que seu estômago continha pedras, o que possivelmente poderia ser uma estratégia de sobrevivência. 

Estima-se que o fóssil tenha cerca de 180 milhões de anos e pertence a espécie Temnodontosaurus trigonodon, reconhecidamente a que abrigava os maiores ictiossauros. Através do comprimento do crânio de 1,5 metros, os pesquisadores sugerem que o animal tinha cerca de 6,6 metros de comprimento.

O trabalho liderado por pesquisadores do Urwelt-Museum Oberfranken, na Alemanha, teve os resultados publicados na revista Zitteliana na última quinta-feira (23/4).

Pedras no estômago e ferimentos graves: os detalhes do réptil gigante

O fóssil foi encontrado na pedreira de argila de Mistelgau, um sítio paleontológico alemão importante. Além dos dentes, foram encontradas partes do crânio e da mandíbula inferior, da cintura escapular, das nadadeiras peitorais e da coluna vertebral. A partir delas, foi possível detalhar estruturas anatômicas raramente documentadas, como as do palato, da região orbital e das nadadeiras.

A investigação também descobriu sinais de ferimentos nas articulações do ombro e da mandíbula, o que pode ter limitado a capacidade de caça do réptil. Além disso, pedras no estômago, conhecidas como gastrólitos, também foram identificadas. E o mais curioso: os cientistas apontam que ambos achados têm relação. 

“Os ferimentos provavelmente limitaram significativamente a capacidade do animal de caçar. O fato de ele ter sobrevivido, mesmo assim, é evidenciado, entre outras coisas, pelos dentes bastante desgastados e pelos gastrólitos, que conseguimos identificar na região abdominal”, afirma um dos autores do estudo, Stefan Eggmaier, em comunicado.

Raro de ser encontrado nos ictiossauros, os gastrólitos são pedras ingeridas intencionalmente por certos animais para ajudar na trituração dos alimentos em situações específicas.

O achado faz parte de um estudo em andamento sobre a ecologia do mar Jurássico, o período em que os ictiossauros viveram, na Alemanha. Agora, os pesquisadores planejam investigar mais a fundo os dentes e as estruturas ósseas, a fim de saber mais detalhes sobre o habitat do fóssil.

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