Fóssil de cobra com patas elucida história evolutiva das serpentes
Além da presença das patas, o fóssil da cobra possui um osso no crânio inexistente nas serpentes atuais, mas comum no lagartos até hoje
atualizado
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Se alguém falar atualmente que viu uma cobra com patas, provavelmente seria mentira. Mas se essa pessoa estivesse na Terra há quase 100 milhões de anos, seria verdade. Afinal, foi dessa época que pesquisadores internacionais descobriram um fóssil da espécie Najash rionegrina e, ao contrário das serpentes atuais, ela tinha pequenas pernas no corpo.
Além de identificar as patas, a análise dos pesquisadores encontrou a presença de um osso zigomático – também chamado de osso jugal – no crânio do animal, uma outra característica não vista nas serpentes atuais. No presente, apenas vertebrados, incluindo lagartos, possuem o atributo ósseo.
A descoberta ocorrida na região da Patagônia, na porção que fica na Argentina, identificou um fóssil bem preservado de uma espécime da serpente existente no período Cretáceo. O trabalho foi liderado pela Universidade Maimónides, também na Argentina, e teve os resultados publicados na revista Science Advances.
Análise do fóssil e correção na história das cobras
Após os ossos fossilizados, foi utilizada a tomografia computadorizada de microfoco, a fim de analisar os fragmentos sem danificá-los. Dessa forma, os pesquisadores puderam reconstruir o crânio com nervos e vasos sanguíneos, além de outros atributos.
Por meio do detalhamento obtido, o grupo identificou um erro anatômico na história evolutiva dos bichos rastejantes: anteriormente, a ideia principal era que eles tinham surgido como pequenos bichos escavadores. No entanto, as patas e o osso zigomático achados na investigação indicam que as cobras antigas eram mais semelhantes a animais de corpo maior e bocas largas, como lagartos, por exemplo.
“Esta pesquisa revoluciona nossa compreensão do osso jugal em lagartos, tanto em serpentes quanto outros tipos de lagartos. Após 160 anos de interpretações equivocadas, este artigo corrige essa característica importantíssima, baseada não em suposições, mas em evidências empíricas. O estudo é fundamental para entendermos a evolução dos crânios de serpentes modernas e antigas”, diz o coautor do estudo, Michael Caldwell, em comunicado.
Para os pesquisadores, a espécime achada pode ser considerada um intermediário evolutivo para as serpentes, mostrando que elas eram mais parecidas com lagarto e, posteriormente, se transformaram para o modelo corporal das cobras atuais.
Novos estudos posteriores a esse já descobriram mais detalhes sobre a evolução das serpentes. A expectativa é que mais trabalhos surjam no futuro.
