Encontro de novo fóssil sugere que ancestral de mamífero botava ovos
Fóssil de ovo com 250 milhões de anos foi encontrado em 2008. O fragmento pertencia a um vertebrado herbívoro, ancestral dos mamíferos
atualizado
Compartilhar notícia

Ser mamífero e botar ovo parecia uma exclusividade dos ornitorrincos, mas, ao analisar um fóssil de 250 milhões de anos do Lystrosaurus, um vertebrado herbívoro ancestral da classe, pesquisadores descobriram que ele fazia a mesma coisa.
O animal conseguiu resistir e até prosperar durante a extinção em massa ocorrida no período Permiano-Triássico por fenômenos climáticos extremos que abalaram a Terra. O estudo liderado pelo professor Julien Benoit, da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul, teve os resultados publicados na revista Plos One na última quinta-feira (9/4).
Ancestral de mamífero que botava ovos
O fóssil se trata de um ovo e foi achado em 2008. Análises posteriores indicaram se tratar de um embrião de Lystrosaurus. Os pesquisadores investigaram o fragmento através de técnicas de raio X, encontrando detalhes microscópicos sem destruir o material.
Um dos exames revelou que a mandíbula do animal embrionário não estava formada completamente. Segundo os pesquisadores, o achado é uma pista de que o vertebrado morreu antes da eclosão do ovo.

Ao contrário dos ovos de dinossauro, que facilmente se fossilizam, os de casca mole, como o do Lystrosaurus, são mais complicados de serem preservados, o que coloca a descoberta em um patamar de raridade alta.
As análises indicaram também detalhes de como era estratégia reprodutiva dos Lystrosaurus: indo de encontro com os mamíferos atuais, eles não produziam leite e os filhotes tinham um desenvolvimento maior ao sair do ovo, conseguindo rapidamente se alimentar individualmente, fugir de ataques e maturar sexualmente.
Como à época da extinção em massa a Terra estava extremamente seca, os ovos do animal eram mais resistentes à falta de umidade.
“A estratégia reprodutiva pode ter desempenhado um papel crucial em sua resiliência e dominância ecológica após a extinção em massa do Permiano-Triássico”, escrevem os pesquisadores no artigo.
Além de descobrir mais detalhes do fóssil raro, os cientistas ressaltam que o achado elucida melhor como os animais se adaptaram às condições extremas do planeta à época da extinção em massa.
