Hiperparasita em forma de chifre é identificado pela primeira vez
Cientistas encontraram uma espécie que se alimenta de fungos parasitas e pode ajudar no desenvolvimento de novos produtos biológicos

Um grupo de cientistas da Malásia identificou uma nova espécie de fungo hiperparasita. Em vez de atacar diretamente insetos, o organismo se desenvolve sobre outro fungo parasita, conhecido por infectar formigas e alterar seu comportamento antes de matá-las.
A descoberta foi feita durante expedições científicas realizadas nas florestas de Bornéu e publicada na revista New Zealand Journal of Botany em 2 de junho. A espécie recebeu o nome de Pleurocordyceps cornusynnemata e chamou a atenção por apresentar uma estrutura em forma de chifre nunca observada anteriormente dentro desse grupo de fungos.
Os pesquisadores classificam o organismo como um hiperparasita, termo usado para descrever espécies que parasitam outros parasitas.
Como o fungo age
O novo fungo foi encontrado em uma formiga morta coletada no Vale de Danum, uma área de floresta tropical localizada no estado de Sabah, na Malásia.
Segundo os pesquisadores, a formiga já estava infectada pelo Ophiocordyceps, popularmente conhecido como fungo zumbi. Esse organismo invade o corpo do inseto, altera seu comportamento e utiliza seus tecidos para crescer e se reproduzir.
O Pleurocordyceps cornusynnemata, porém, não ataca diretamente a formiga. Em vez disso, desenvolve-se sobre o próprio fungo zumbi, utilizando seus tecidos como fonte de alimento.
Os cientistas destacam que essa é a primeira espécie conhecida do gênero Pleurocordyceps a apresentar a característica estrutura semelhante a um chifre.
Descobertas nas florestas de Bornéu
Durante as mesmas expedições, os pesquisadores também registraram outras espécies raras de fungos parasitas.
Um dos estudos identificou uma nova espécie associada a aranhas e ampliou o conhecimento sobre fungos entomopatogênicos, grupo que infecta insetos e outros artrópodes. Os resultados ajudaram a mapear espécies que nunca haviam sido registradas na Malásia.
Os autores afirmam que esses organismos despertam interesse não apenas pela curiosidade biológica. Fungos desse tipo são estudados por seu potencial uso no controle de pragas agrícolas e como fonte de substâncias com possível aplicação farmacêutica.
Embora ainda sejam necessárias novas pesquisas, os cientistas avaliam que a biodiversidade das florestas tropicais do Sudeste Asiático continua revelando espécies pouco conhecidas e interações ecológicas que permaneciam desconhecidas até agora.


