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Coruja raríssima é vista pela primeira vez em 125 anos na Malásia

Ecologista teve o encontro "indescritível" com o animal nas montanhas do Monte Kinabalu, na Malásia

atualizado 03/05/2021 20:27

coruja rajá de BornéuAndy Boyce

Choque e empolgação foram os dois sentimentos relatados por um ecologista ao ficar cara a cara com uma pequena coruja raríssima, que não era vista na natureza pelo homem há mais de 125 anos. A redescoberta da coruja rajá de Bornéu foi descrita em um artigo científico por Andy Boyce, do Smithsonian Migratory Bird Center, publicado no The Wilson Journal of Ornithology na quarta-feira (28/4).

Segundo Boyce, a subespécie Otus brookii brookii, documentada pela primeira vez em 1892, pode ser uma espécie única e merecedora de designação de conservação, para que seja preservada em seu habitat. O especialista revelou que a fotografou nas florestas montanhosas do Monte Kinabalu, em Sabah, Malásia.

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“Foi uma progressão muito rápida de emoções quando vi a coruja pela primeira vez – choque e empolgação absolutos por ter encontrado esse pássaro mítico, depois pura ansiedade por ter que documentá-lo o mais rápido que pude”, comemorou. A descoberta ocorreu em maio de 2016 – como parte de um estudo de 10 anos da evolução da história de vida das aves no Monte Kinabalu -, mas apenas agora pode ser documentado depois de um longo processo de confirmação de sua autenticidade.

O ecologista identificou o animal com base no tamanho, cor dos olhos e habitat. “Eu sabia que era a coruja rajá de Bornéu. Além do mais, levando em consideração os caracteres específicos da plumagem desta ave, padrões de especiação conhecidos no gênero Otus e padrões filogeográficos de pássaros montanhosos em Bornéu e Sumatra, a O. b. Brookii é provavelmente sua própria espécie única e mais estudos são necessários”, destacou.

Pequenas desconhecidas das montanhas

Essas corujas pesam aproximadamente 100 gramas, o equivalente a 4 pilhas AA. As subespécies da coruja rajá são nativas do Sudeste da Ásia: Otus brookii brookii na ilha de Bornéu e Otus brookii solokensis, em Sumatra.

Andy Boyce ressalta que, se for identificada como endêmica apenas em Bornéu, ações de conservação são necessárias para preservar as florestas maduras de montanha, provavelmente acima da área pesquisada por eles e onde o animal foi vista. Essas elevações, documentam o estudo, já sofrem ameaças de perda de habitat por conta de mudanças climáticas, desmatamento, principalmente para extração de óleo de palma.

Quase todos os dados sobre a subespécie O. b. Brookii – vocalizações, distribuição, biologia reprodutiva e tamanho da população – são totalmente desconhecidos para os especialistas. Por isso, os especialistas devem seguir com o trabalho de monitoramento da coruja.

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