Cascavéis estão entre as espécies mais vulneráveis a ter parasitas
Em pesquisa para avaliar a saúde das serpentes, as cascavéis se destacaram por serem mais prejudicadas pelos fungos e parasitas
atualizado
Compartilhar notícia

Além de enfrentar a destruição de seus habitats e lidar com tentativas de caça, as serpentes enfrentam mais um problema. Segundo um novo estudo realizado nos Estados Unidos, os animais rastejantes podem ser afetados por doenças causadas por parasitas e fungos – entre as espécies, as cascavéis são as mais vulneráveis.
No estudo, os pesquisadores analisaram sete patógenos presentes em serpentes nativas com o objetivo de avaliar as condições de saúde delas. O trabalho liderado por pesquisadores da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos, teve os resultados publicados nessa segunda-feira (25/5) na revista Frontiers in Veterinary Science.
Os dados da prevalência de fungos em serpentes
Durante o estudo, foram capturadas mais de 500 serpentes na Carolina do Sul e na Flórida. Ao todo, foram catalogadas 29 espécies entre os exemplares. Foram coletadas amostras de sangue, secreção e alguns tecidos. Após avaliar os resultados, os dados encontrados pelos pesquisadores foram:
- Pouco menos de 20% das serpentes não tinham nenhum patógeno;
- 63% tinha a bactéria Salmonella enterica;
- 53% estavam com o protozoário Hepatozoon spp., um parasita transmitido por carrapatos;
- 18% tinham a bactéria Mycoplasma spp., um organismo resistente a antibióticos e responsável por causar doenças respiratórias – ele nunca havia sido encontrado em serpentes selvagens norte-americanas.
Além disso, foi detectado que 44% das cobras estavam infectadas com mais de um patógeno simultaneamente. “Quando um animal adoece devido a uma infecção, seu sistema imunológico fica comprometido, o que aumenta o risco de agravamento da doença por outros agentes infecciosos que podem ter sido subclínicos anteriormente”, explica a primeira autora do estudo, Corinna Mishin, em comunicado.
Das espécies estudadas, a que mais se mostrou vulnerável foi a das cascavéis, que era mais propensa a ter doenças fúngicas e condições parasitárias.
“Nossa hipótese é que certas espécies com saúde populacional geral mais precária, especificamente as cascavéis, que historicamente e atualmente enfrentam riscos maiores de perseguição humana, provavelmente são mais suscetíveis à infecção e à consequente doença”, aponta Corinna.
Os resultados poderão ajudar a nortear ações de conservação das serpentes. Por outro lado, será necessário realizar estudos mais abrangentes ainda, pois os achados dizem respeito apenas aos animais localizados nas regiões investigadas no trabalho atual.