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Ciência

Parasita inédito é achado em "colar" de aranha do Instituto Butantan

Observação de larvas que formavam um colar em aranha do Instituto Butantan revelou espécie de ácaro até então desconhecida no Brasil

06/01/2026 12:05, atualizado 06/01/2026 17:28
Reprodução/Fapesp
Aranha Butantan animal com colar parasita ácaro

Pesquisadores brasileiros encontraram ao acaso um parasita inédito ao observar uma aranha do Instituto Butantan, em São Paulo. A descoberta ocorreu quando cientistas avistaram o que um animal do centro de pesquisa tinha ao redor de seu corpo.

A espécie era uma variedade desconhecida de ácaro parasita de aranhas, um primo do primeiro ácaro tipicamente brasileiro, identificado em 1979. Com a nova pesquisa, publicada em outubro no International Journal of Acarology, ele passa a ser o segundo tipo de ácaro descoberto no país.

A nova espécie foi batizada como Araneothrombium brasiliensis. Com a descoberta, os cientistas do Butantan investigaram outras aranhas de seu acervo e identificaram larvas do mesmo ácaro parasitando aracnídeos de três famílias diferentes (Araneidae, Salticidae, Sparassidae).

“Para esse grupo de ácaros, não é incomum conhecer muitas espécies parasitas apenas por meio de suas larvas, já que na fase adulta elas se tornam predadoras de vida livre, vivendo no solo e se alimentando de pequenos insetos e até mesmo de outros ácaros, o que as torna muito difíceis de encontrar”, afirma Ricardo Bassini-Silva, o pesquisador que primeiro observou o colar de larvas, em comunicado à imprensa da Fapesp.

Como é a relação dos ácaros com as aranhas?

Os pequenos animais possuem meio milímetro de tamanho, grandes para as aranhas que parasitam, que não chegam a ter 10 vezes essas dimensões. Eles se instalam em uma região entre o corpo e as patas dos atrópodes, sugando ali os fluidos corporais.

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“Esta é a região mais vulnerável da aranha, já que outras partes possuem muita quitina, que forma um exoesqueleto difícil de ser penetrado pelas presas dos ácaros”, explica o pesquisador. A preferência deles por artrópodes jovens, para os biólogos do Butantan, aponta um comportamento oportunista, tentando se aproveitar dos animais mais fracos.