Cientistas descobrem a origem e evolução do morango estudando seu DNA
Estudo identificou no genoma do morango sinais de grandes eventos de mistura genética que ajudaram a formar a fruta cultivado atualmente

Presente em sobremesas, sucos e receitas do dia a dia, o morango cultivado guarda uma história evolutiva muito mais complexa do que sua aparência sugere.
Um estudo publicado na revista científica Horticulture Research encontrou no DNA da fruta pistas sobre como diferentes espécies ancestrais contribuíram para a formação do morango moderno ao longo de milhões de anos.
A pesquisa foi conduzida por cientistas japoneses e analisou o genoma do morango cultivado (Fragaria × ananassa), espécie que possui oito conjuntos de cromossomos, característica que a torna geneticamente mais complexa do que muitas outras plantas.
Marcas antigas preservadas no DNA
Para reconstruir a trajetória evolutiva da fruta, os pesquisadores analisaram retrotransposons LTR, sequências de DNA que funcionam como registros naturais da história genética das espécies. A partir dessas marcas, a equipe conseguiu identificar quatro subgenomas — conjuntos de genes herdados de ancestrais diferentes.
A análise permitiu rastrear quando determinadas linhagens se uniram ao longo da evolução e ajudou a esclarecer quais espécies tiveram participação mais importante na formação do morango cultivado.
Segundo os autores, a origem do morango moderno envolveu três grandes eventos de hibridização, ou seja, cruzamentos entre linhagens ancestrais distintas.
O primeiro ocorreu entre 3,1 milhões e 4,2 milhões de anos atrás. Um segundo evento aconteceu entre 1,9 milhão e 3,1 milhões de anos atrás. Já a etapa mais recente teria ocorrido entre 800 mil e 1,9 milhão de anos atrás. Ao longo desse processo, diferentes ancestrais contribuíram para a formação dos quatro subgenomas encontrados atualmente no morango cultivado.
Os resultados reforçam a importância de espécies próximas a Fragaria vesca e Fragaria iinumae na história evolutiva do morango e sugerem que algumas hipóteses anteriores sobre outros ancestrais podem precisar ser revisadas.
Os pesquisadores também destacam que parte da origem da fruta pode estar ligada a espécies extintas ou ainda não estudadas, o que significa que a história do morango ainda não está totalmente concluída.
Além de ajudar a compreender a evolução da espécie, a nova abordagem pode ser aplicada em pesquisas com outras plantas de genoma complexo, contribuindo para estudos de melhoramento genético e desenvolvimento agrícola.


