Entenda o esquema de descontos do PicPay na folha do servidores do GDF. Veja vídeo
Investigação apura descontos irregulares de R$ 81,7 milhões em salários de servidores, por meio de antecipação salarial ofertada pelo PicPay

A Operação Juros Zero, deflagrada nesta sexta-feira (19/6) pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) para investigar um suposto esquema de fraudes na folha de pagamento dos servidores públicos do Distrito Federal, tem entre os alvos o PicPay.
O banco digital é investigado por descontos realizados diretamente nos salários de servidores, aposentados e pensionistas do Governo do Distrito Federal (GDF) por meio de um serviço de antecipação salarial. O caso foi revelado pela coluna Grande Angular.
Segundo inspeção do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), o PicPay descontou R$ 81,7 milhões dos contracheques de servidores do GDF entre 2024 e 2025. Os valores seriam referentes ao serviço de antecipação salarial ofertado ao funcionalismo público a partir de um contrato firmado com a Secretaria de Economia do DF, em setembro de 2024.
O TCDF identificou um “crescimento acentuado e alto volume em nova modalidade de desconto” diretamente na folha de pagamento: a amortização do serviço contratado com o banco digital.
Em 2024, os descontos somaram R$ 11,7 milhões. Já entre janeiro e agosto de 2025, o valor chegou a R$ 70 milhões.
Segundo relatório da Corte de Contas, o PicPay é o único habilitado, desde 2024, para realizar desconto compulsório na folha de pagamento do GDF. A operação é executada pela BRB Serviços S.A., subsidiária do Banco de Brasília (BRB).
Em fevereiro deste ano, o TCDF determinou a suspensão de novos descontos debitados diretamente em folha e vinculados ao banco digital, após identificar irregularidades envolvendo a aplicação de uma taxa sobre a antecipação salarial.
Operação Juros Zero
Além do PicPay, a operação tem como alvo o Banco de Brasília (BRB), a BRB Serviços S.A., a Secretaria de Economia do Distrito Federal, o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev-DF) e outras associações ligadas ao caso.
As medidas também atingem atuais e ex-dirigentes das instituições investigadas. Entre eles, estão Ney Ferraz Júnior e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, que foi preso.
A ação é conduzida pela Vice-Procuradoria-Geral de Justiça, pela Promotoria de Defesa do Consumidor e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Por determinação do Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), são cumpridos 50 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em Curitiba (PR) e em São Paulo (SP), onde fica a sede do PicPay.
As investigações apuram a existência de um suposto esquema de irregularidades envolvendo operações relacionadas à folha de pagamento dos servidores do Distrito Federal.

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