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Copa do Mundo 2026Ciência

Copa do Mundo: contato com cães pode ajudar na saúde mental de atletas

Durante a Copa, a comissão técnica norte-americana utilizou terapia com cães para ajudar no equilíbrio mental dos jogadores

10/07/2026 13:30, atualizado 10/07/2026 13:31
Reprodução/Instagram
Imagem colorida mostra jogadores dos EUA brincando com cachorros - Metrópoles

Apesar de terem sido eliminados pela Bélgica na última segunda-feira (6/7), os Estados Unidos tiveram um bom desempenho na Copa do Mundo, liderando seu grupo na etapa anterior. Por apenas uma fase, a equipe não se igualou a sua melhor campanha na era moderna, quando alcançou as quartas de final em 2002, na edição disputada na Coreia do Sul e no Japão.

Assim como as outras seleções, a preparação do time norte-americano para a Copa levou em conta questões físicas e técnicas. Mas, além dos aspectos básicos, o que pode explicar a boa campanha é a atenção com saúde mental dos atletas.

Em uma tática inovadora, a comissão técnica da equipe promoveu o contato dos jogadores com cães durante os treinos. A medida visa ajudar a recuperar o equliíbrio mental do grupo em meio a uma competição estressante como o Mundial.

De acordo com especialistas ouvidos pelo Metrópoles, a ação tem validação científica e  realmente pode funcionar. Os benefícios para acalmar a mente podem ser sentidos em contato com cães e até outros animais.

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Ao entrar em contato com pets, os sistemas cerebrais ligados ao vínculo são ativados. Segundo o neurocientista Leandro Freitas Oliveira, o toque, o olhar e a interação aumentam a presença da ocitocina (hormônio do amor), da dopamina (hormônio do prazer), além de liberar endorfina, um dos hormônios do bem-estar. 

“Todas essas substâncias associadas ao vínculo social, ao prazer e à sensação de calma acabam sendo aumentadas quando temos contato com um pet. Em uma Copa do Mundo, o contato com cães pode ajudar, principalmente como uma estratégia de regulação emocional, especialmente quando pensamos em momentos de alta pressão e de incerteza”, diz o professor da Universidade Católica de Brasília (UCB).

Imagem colorida mostra jogadores dos EUA brincando com cachorros - Metrópoles
Imagem mostra o jogador da seleção norte-americana Weston McKennie brincando com cachorro

De acordo com o psicólogo Cristian Ribeiro, existem evidências científicas sólidas das vantagens em realizar terapias com cães. A área é chamada de Intervenções Assistidas por Animais (IAA). Os estudos já realizados mostraram que o contato com animais causaram melhoras emocionais e comportamentais nos pacientes. 

O que a ciência prova, em suma, é que o animal atua como um facilitador social e uma fonte de apego seguro que fortalece a autoeficácia e estabiliza o humor. Um estudo de 2023 demonstrou que o contato provocou redução de sintomas de ansiedade, diminuição do isolamento social e melhora na expressão da afetividade em populações vulneráveis, como idosos e crianças com transtornos do desenvolvimento”, afirma o especialista do Grupo Reinserir, em São Paulo.

Terapia com cães funciona, mas não se aplica a todos os casos

Apesar dos benefícios, os especialistas avaliam que a técnica com cães pode não funcionar com todos os indivíduos. Pessoas que têm medo ou alergia a pets podem ter uma experiência negativa e sofrer efeito contrário, caso sejam expostas à terapia.

O neuropsicólogo Rafael Alberto Moore destaca que outro ponto de atenção em terapias com cachorros é o bem-estar dos próprios animais, que devem ser acompanhados, treinados e respeitados durante o processo.

“[A terapia com cães] pode ser uma estratégia adotada, visto o potencial dos animais para ajudar a relaxar e tranquilizar, mas o custo deve ser considerado, porque animais também sofrem de estresse e ansiedade. A Copa do Mundo é um ambiente de grande pressão, deslocamentos frequentes, mudança e correria”, ressalta o professor do Centro Universitário Uniceplac, em Brasília.