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Copa do Mundo 2026Saúde

Assistir a um gol na Copa ativa áreas de prazer e estresse no cérebro

Na Copa do Mundo, reação ao gol aciona áreas de prazer, estresse e memória e ajuda a explicar euforia dos torcedores

25/06/2026 12:58
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Al Bello/Getty Images
O Brasil venceu o Haiti por 3x0 com gols de Matheus Cunha e Vini Jr. Seleção Brasileira metropoles 1

A reação ao gol na Copa do Mundo ajuda a explicar por que o torneio transforma uma partida de futebol em um evento de alta carga emocional. Em poucos segundos, o cérebro do torcedor aciona circuitos ligados ao prazer, à atenção, ao estresse e à memória, provocando uma mistura de euforia, alívio e excitação física que pode resultar em gritos, choro, tremores e coração acelerado.

Quando o lance envolve a seleção em um campeonato mundial, a resposta tende a ser ainda mais intensa. Além da expectativa pelo resultado, entram em campo fatores como identidade coletiva, rivalidade, lembranças de outras Copas e o sentimento de pertencimento, o que faz do gol não apenas um momento esportivo, mas uma experiência emocional compartilhada por milhões de torcedores.

Da tensão ao alívio: o que muda no cérebro quando sai o gol

Em uma partida de Copa do Mundo, o cérebro do torcedor já entra em estado de alerta antes da bola balançar a rede. Em lances de ataque, cobranças de falta ou pênaltis, áreas ligadas à emoção, à atenção e ao estresse passam a trabalhar de forma intensa. Entre elas estão a amígdala cerebral, associada à vigilância e ao processamento emocional, e o córtex pré-frontal, que participa da avaliação do que está acontecendo em campo.

Segundo o neurocirurgião Wellingson Paiva, do Hospital Samaritano Higienópolis, em São Paulo, esse período de antecipação mobiliza substâncias como adrenalina e cortisol, responsáveis por manter o organismo em prontidão. Quando o gol acontece, a resposta muda rapidamente, e a dopamina passa a dominar a cena, ativando áreas como o núcleo accumbens, uma das principais regiões ligadas à sensação de recompensa.

Também entram em ação estruturas como a área tegmentar ventral, a ínsula e o hipotálamo, que fazem a ponte entre emoção, prazer e resposta física.

Na prática, o cérebro interpreta o gol como uma recompensa intensa e imediata, o que gera alívio, prazer e uma explosão de entusiasmo em questão de segundos.

“Na Copa, o gol não representa só vantagem no placar, ele pode ser percebido pelo cérebro como uma conquista coletiva, capaz de reforçar laços sociais e ampliar a sensação de recompensa”, afirma Paiva.

Grito, choro e tremor, por que a reação ao gol toma conta do corpo

A reação ao gol não fica restrita ao cérebro. Ela se espalha pelo corpo em segundos e ajuda a explicar por que um torcedor pode gritar, chorar, pular, suar, abraçar desconhecidos ou sentir as pernas tremerem depois de um lance decisivo. Isso acontece porque regiões cerebrais ativadas no momento do gol também influenciam funções automáticas do organismo, como frequência cardíaca, pressão arterial, suor e percepção das sensações viscerais.

A ínsula, por exemplo, está relacionada à forma como o cérebro percebe emoções no corpo, incluindo o frio na barriga, o aperto no peito e a sensação de aceleração. Já o hipotálamo participa da regulação de respostas físicas ligadas ao estresse e à excitação. Com isso, a comemoração não é apenas um gesto racional ou cultural, ela é também uma descarga fisiológica.

De acordo com o neurologista Thiago Taya, do Hospital Brasília Águas Claras, em Brasília, o pico de euforia também reduz temporariamente o controle racional do comportamento, favorecendo uma espécie de desinibição momentânea.

Isso ajuda a explicar por que emoções acumuladas durante a partida extravasam em forma de gritos, lágrimas ou movimentos impulsivos, enquanto adrenalina e noradrenalina seguem atuando no corpo e contribuem para tremores, taquicardia e a sensação de energia repentina.

“O cérebro tende a guardar com mais força situações que unem emoção intensa, surpresa e ativação corporal, por isso tantos torcedores lembram com detalhes de onde estavam e como reagiram a um gol importante”, explica.

Por que o gol na Copa do Mundo mexe ainda mais com o torcedor

Nem todo gol provoca a mesma resposta cerebral. O envolvimento emocional com um time, e, no caso da Copa, com a seleção do país, intensifica a experiência porque ativa memórias, vínculos afetivos e a sensação de pertencimento a um grupo.

O cérebro não reage apenas ao lance em si, mas a tudo o que ele representa, a esperança por uma vitória, o medo da eliminação, a rivalidade com adversários históricos e a lembrança de outras campanhas marcantes.

É por isso que a reação ao gol em jogos da Copa do Mundo costuma ser mais intensa do que em partidas comuns. O torcedor não está apenas assistindo a um evento esportivo, mas vivendo um momento que carrega identidade nacional, expectativa coletiva e forte investimento emocional.

Essa combinação amplia a liberação de neurotransmissores ligados à recompensa e torna a comemoração mais intensa, mais compartilhada e, muitas vezes, mais inesquecível.

Além da euforia do instante, o cérebro também trabalha para registrar aquele momento. Serotonina, endorfinas e outros mecanismos de consolidação de memória ajudam a transformar o gol em uma lembrança duradoura.

É assim que certos lances passam a ocupar um espaço especial na memória afetiva do torcedor, não só pelo resultado em campo, mas pelo que fizeram o corpo e o cérebro sentirem naquele exato segundo em que a bola entrou.

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