Suzano: autores de massacre eram ex-alunos e usaram armas incomuns

Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, 25, cometeram suicídio depois do atentado

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atualizado 13/03/2019 21:16

Os dois responsáveis pelo massacre na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano (SP), eram ex-alunos do colégio e usaram armas atípicas para atacar alunos e funcionários. O crime aconteceu no horário do intervalo, por volta de 9h30, quando os estudantes estavam fora das salas. Dez pessoas morreram – incluindo os autores e o tio de um deles, que não estava no colégio – e ao menos 23 vítimas foram encaminhadas a hospitais.

Os criminosos foram identificados como Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, 25. O aniversário de Luiz Henrique seria no próximo dia 16, quando ele faria 26 anos. Já Monteiro atingiria a maioridade no dia 5 de julho.

A investigação aponta que, após os assassinatos, Guilherme matou Luiz Henrique e depois se suicidou. Segundo a polícia, os dois tinham um pacto de que fariam o ataque e depois se matariam. E que andavam pesquisando na internet massacres em escolas dos Estados Unidos.

Pouco antes de chegar até a escola, Guilherme efetuou um disparo contra seu tio numa concessionária de veículos onde já havia trabalhado. Nas redes sociais, ele publicou que estava “viajando para São Paulo” e incluiu 30 fotos. Entre as imagens estão retratos dele segurando a arma usada no tiroteio e com uma máscara de caveira com a qual foi encontrado.

Além de uma arma de fogo calibre .38, os dois portavam armamentos incomuns: uma besta – que é uma arma medieval –, arco profissional, machado, coquetel molotov e explosivos.

À revista Veja, o avô de Guilherme afirmou que o neto morava com ele e que os pais do adolescente eram dependentes químicos. Segundo a publicação, alunos que se encontravam em frente ao local do crime disseram que Guilherme ameaçou colegas num shopping três dias antes.

O avô disse ainda que o neto trabalhou na concessionária do tio atingido antes do ataque à escola e que havia sido demitido há dois anos. “Era um menino bonzinho, não tinha problemas com drogas e nunca me deu trabalho”, disse ele à Veja.

Entenda
A escola de Suzano onde ocorreu o massacre fica a cerca de 50 quilômetros da capital, São Paulo, tem ensino fundamental e médio, além de um centro de línguas. Lá estudam cerca de mil alunos e trabalham 121 funcionários. 

Vítimas
A polícia identificou as oito vítimas do massacre na Escola Estadual Raul Brasil. Entre elas estão duas funcionárias da instituição de ensino, Marilena Ferreira Vieira Umezo e Eliana Regina de Oliveira Xavier. Cinco jovens, todos estudantes do ensino médio, e um comerciante da região também perderam a vida no ataque.

Jorge Antônio Moraes, dono de uma locadora de veículos que fica ao lado do colégio, foi o primeiro a ser atingido pelos atiradores. Ele seria tio de Guilherme. Jorge foi socorrido e levado ao hospital municipal de Suzano, mas não resistiu.

Durante coletiva de imprensa, o comandante da PM de São Paulo, coronel Marcelo Vieira Salles, afirmou que os agentes do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), da Polícia Militar, impediram que os criminosos entrassem em uma sala de aula e atirassem contra outros 10 alunos, os quais se escondiam no espaço.

Confira a lista atualizada, divulgada em nota nesta noite, pelo governo de São Paulo:

Veja a lista dos 10 mortos:

Alunos da escola
1. Caio Oliveira, 15 anos, estudante
2. Claiton Antonio Ribeiro, 17 anos, estudante
3. Douglas Murilo Celestino, 16 anos, estudante – socorrido no Hospital de Clínicas Luzia Pinho de Melo, mas foi a óbito
4. Kaio Lucas da Costa Limeira, 15 anos, estudante
5. Samuel Melquiades Silva Oliveira, 16 anos, estudante

Funcionárias da escola
6. Eliana Regina de Oliveira Xavier, 38 anos
7. Marilena Ferreira Vieira Umezo, 59 anos

Atiradores
8. Guilherme Taucci Monteiro, 17 anos
9. Luiz Henrique de Castro, 25 anos

Dono da locadora
10. Jorge Antonio de Moraes, 51 anos – transferido do PSM de Suzano para o HC/FMUSP, onde foi a óbito

Na nota, ainda é possível ver a lista de feridos: são 11 estudantes em atendimento na rede pública, com idades variando entre 14 e 20 anos.

Vídeos
Minutos após o ataque, um cenário de horror se formou no colégio Raul Brasil. As imagens mostram alunos caídos no chão e uma grande quantidade de sangue espalhada pelo local. Na gravação, é possível ver ao menos cinco corpos nos corredores da escola.

Estudantes correm no pátio, gritando em direção à pessoa que está gravando. Em desespero, uma aluna pede socorro. “Me ajuda, meu Deus”, berrou, ao sair correndo.

Imagens gravadas por câmeras de segurança na rua da escola filmaram o momento em que os dois atiradores estacionaram um Ônix branco em frente ao colégio e entraram para cometer o massacre. O vídeo foi divulgado pelo site O Antagonista.

Nas imagens, é possível ver o carro estacionando em frente ao portão de entrada da escola. Logo em seguida, o passageiro desce do veículo e parece conversar com o motorista. Com uma mochila nas costas e carregando algo nas mãos, ele deixa a porta por onde saiu aberta e dá a volta por trás do automóvel, parando ao lado da janela do condutor.

O rapaz parece continuar o diálogo com o motorista do carro por alguns instantes, em seguida se vira e entra na escola. O condutor demora no veículo por alguns minutos, mas logo sai com certa pressa e atravessa o portão do colégio. Assim como seu comparsa, ele levava uma mochila nas costas e carregava algo nas mãos. Em poucos segundos, vários adolescentes aparecem fugindo.

Outros massacres
Realengo (RJ), Goiânia (GO), Medianeira (PR), Campinas (SP) e São Paulo (SP) são cidades brasileiras marcadas pelo derramamento de sangue em locais de grande movimento, como escolas, igrejas e até cinemas. Em duas décadas, ao menos 22 vítimas morreram nesse tipo de massacre.

Em Realengo, 12 pessoas foram mortas e 22 ficaram feridas na Escola Municipal Tasso da Silveira, em abril de 2011. Portando dois revólveres calibre .38 e equipamento para recarregar rapidamente as armas, Wellington Menezes de Oliveira, 23 anos, atirou contra alunos em salas de aula lotadas. Ele foi atingido por um policial e se suicidou.

Wellington ainda baleou duas pessoas do lado de fora da escola e entrou no colégio dizendo que faria uma palestra. Na carta encontrada com o atirador, ele falava de questões religiosas e dava indícios de que o ataque foi premeditado. Segundo as investigações, ele havia feito pesquisas relacionadas a atentados terroristas e a grupos religiosos fundamentalistas.

Uma missa acontecia na Catedral Metropolitana de Campinas (SP) quando Euler Fernando Grandolpho, 49 anos, abriu fogo contra fiéis em dezembro de 2018. Ele matou cinco pessoas e cometeu suicídio. Outras quatro ficaram feridas após serem atingidas pelos disparos.

Os investigadores descobriram que o atirador fazia uma espécie de diário no qual anotava placas de carros e outras informações sobre supostos perseguidores. Ele chegou a registrar boletins de ocorrência sobre os casos.

Em novembro de 1999, um estudante de medicina entrou em uma das salas de cinema do Morumbi Shopping, em São Paulo, e abriu fogo contra a plateia durante sessão do filme Clube da Luta. Armado com uma submetralhadora 9 mm, ele atirou contra 66 espectadores. Três pessoas morreram e quatro ficaram feridas. O homem só parou quando foi contido por policiais.

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