Suzano: 20 professores substitutos vão assumir colégio após massacre

A medida da Secretaria de Educação paulista é uma tentativa de manter a unidade de ensino funcionando

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Professores se reúnem em Suzano
1 de 1 Professores se reúnem em Suzano - Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

Enviado especial a Suzano (SP) – Na próxima semana, 20 professores da rede estadual de São Paulo começaram a dar expediente no Colégio Estadual Raul Brasil, escola abaldada por um tiroteio na última quarta-feira (13/3). A medida da Secretaria de Educação paulista é uma tentativa de manter a unidade de ensino funcionando.

Os professores substitutos chegam ao município para dar apoio aos funcionários docentes da escola, que reabre as portas na próxima segunda-feira (18/3). As aulas, porém, serão retomadas apenas na semana seguinte, no dia 25. A ideia é dar início ao trabalho psicossocial antes de retomar a rotina.

Nesta segunda-feira, a escola será aberta às 10h para acolhimento dos funcionários que desejarem receber atendimento psicológico. Na terça-feira (19/03), o serviço será voltado aos alunos, com atividades de reflexão e rodas de conversa. Na quarta-feira(20/03), uma semana depois do ataque, haverá abertura para a comunidade e familiares.

Na sexta-feira (15/3), o secretário Estadual de Educação de São Paulo, Rossieli Soares da Silva, disse que o retorno das atividades deve levar em consideração a dor da cidade. “Nenhum professor está obrigado a vir para a escola, nenhum aluno está obrigado. Todos podem viver este momento da melhor maneira. Mas se desejarem algum tipo de atendimento, estaremos aqui. Precisamos respeitar o tempo e o espaço de cada pessoa”, avalia.

Atendimentos psicossociais
Os atendimentos também acontecem no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Alumiar. O local está acolhendo alunos, familiares e amigos das vítimas, além de estudantes da cidade, que foram afetados pelo tiroteio promovido pelos ex-alunos da escola Guilherme Taucci Medeiros, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, 25.

Desde as primeiras horas deste sábado (16/3), uma equipe multiprofissional está na região. São psicólogos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psiquiatras, entre outros.

O prefeito de Suzano, Rodrigo Ashiuchi, avalia que o funcionamento da escola é importante para a cidade conseguir superar o luto. “A união da Prefeitura com os governos estadual e federal tem um único objetivo: confortar e oferecer apoio à comunidade”, destaca.

As medidas ocorrem após um dramático ataque (veja). No intervalo entre as aulas, na última quarta, Guilherme e Luiz Henrique invadiram a instituição e abriram fogo contra estudantes e servidores. Ao todo, seis alunos, duas funcionárias e o tio de um dos atiradores morreram. Os autores do crime tiraram a própria vida.

A participação de um terceiro adolescente é investigada. O menino de 17 anos é acusado pela Polícia Civil de São Paulo de “incitação ao crime“. Contudo, o Ministério Público não viu elementos para pedir apreensão do garoto. Na sexta, ele prestou esclarecimentos por quase três horas e foi liberado. A polícia e o MP continuam apurando o envolvimento com o massacre.

Inicialmente os investigadores acreditam que ele tem ajudado a planejar e comprar Algumas das armas usadas. Em busca e apreensão na casa do garoto, uma bota semelhante a usada pelos atiradores foi encontrada. A polícia analisa o conteúdo de celulares e computadores para desvendar o teor das conversas entre o trio.

Veja fotos do enterro de Samuel, uma das vítimas

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Enterro de Samuel foi um dos mais lotados no primeiro dia de sepultamentos das vítimas
Durante o sepultamento, o pai segurava um brinquedo de Samuca
Muitos moradores seguravam flores brancas durante enterros de jovens estudantes: comunidade pede paz
Segundo o pai de Samuel, embora muito abalada, a família dispensou apoio psicológico e está se fortalecendo na fé e em amigos
Cemitério Municipal São Sebastião recebeu os corpos de quatro estudantes e uma professora da escola 
Raul Brasil no dia seguinte ao crime
Samuel tinha 16 anos e estava matriculado havia pouco mais de três meses no Colégio Raul Brasil, palco central da chacina em Suzano (SP)
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Samuel tinha 16 anos e estava matriculado havia pouco mais de três meses no Colégio Raul Brasil, palco central da chacina em Suzano (SP)

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Enterro de Samuel foi um dos mais lotados no primeiro dia de sepultamentos das vítimas
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Enterro de Samuel foi um dos mais lotados no primeiro dia de sepultamentos das vítimas

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Durante o sepultamento, o pai segurava um brinquedo de Samuca
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Durante o sepultamento, o pai segurava um brinquedo de Samuca

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Muitos moradores seguravam flores brancas durante enterros de jovens estudantes: comunidade pede paz
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Muitos moradores seguravam flores brancas durante enterros de jovens estudantes: comunidade pede paz

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Segundo o pai de Samuel, embora muito abalada, a família dispensou apoio psicológico e está se fortalecendo na fé e em amigos
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Segundo o pai de Samuel, embora muito abalada, a família dispensou apoio psicológico e está se fortalecendo na fé e em amigos

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Cemitério Municipal São Sebastião recebeu os corpos de quatro estudantes e uma professora da escola 
Raul Brasil no dia seguinte ao crime
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Cemitério Municipal São Sebastião recebeu os corpos de quatro estudantes e uma professora da escola Raul Brasil no dia seguinte ao crime

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Veja fotos dos sepultamentos e velórios dessa quinta (14/3): 

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Velório dos mortos na escola em Suzano
Caixão sendo enterrado em Suzano
Sepultamento de vítima do massacre de Suzano
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Velório de vítimas do ataque em escola de Suzano
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Velório de vítimas do ataque em escola de Suzano

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Velório dos mortos na escola em Suzano
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Velório dos mortos na escola em Suzano

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Caixão sendo enterrado em Suzano
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Caixão sendo enterrado em Suzano

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Sepultamento de vítima do massacre de Suzano
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Sepultamento de vítima do massacre de Suzano

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Crime e polícia 
Segundo as autoridades locais, a chegada da polícia na cena do massacre evitou que os criminosos matassem e ferissem mais gente (23 pessoas foram atendidas em hospitais da região). As investigações apontam que a dupla criminosa planejou o massacre durante um ano.

Imagens captadas por câmeras de segurança da rua onde fica a escola e da entrada da unidade de ensino mostram os criminosos chegando ao local e o ataque às vítimas. Após Guilherme Taucci Medeiros atirar contra alunos e funcionários, Luiz Henrique de Castro atingia com golpes de machado quem já estava no chão.

Quem eram 
Os dois responsáveis pelo massacre na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano (SP), eram ex-alunos do colégio e usaram armas atípicas para atacar estudantes e funcionários. O crime aconteceu no horário do intervalo, por volta de 9h30, quando os alunos estavam fora das salas. Dez pessoas morreram – incluindo os autores e o tio de um deles, que não estava no colégio).

Os criminosos foram identificados como Guilherme Taucci Monteiro, 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, 25. O aniversário de Luiz Henrique seria no próximo dia 16, quando ele faria 26 anos. Já Monteiro atingiria a maioridade no dia 5 de julho.

O veículo que foi utilizado no massacre foi roubado da concessionária do tio de Guilherme morto antes de os assassinos irem ao colégio. Tanto o comerciante quanto a dupla de executores foram sepultados nessa quinta (14), em cerimônias reservadas e acompanhadas por poucos familiares.

Veja imagens do massacre em Suzano:


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Além dos 10 mortos, muitos alunos e funcionários ficaram feridos
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Além dos 10 mortos, muitos alunos e funcionários ficaram feridos

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Relatos
Sobreviventes contaram ao Metrópoles terem passado ao lado de corpos de amigos para escaparem da fúria dos criminosos. Um estudante chegou ao hospital mais próximo ainda com o machado usado por Luiz Henrique cravado no ombro. A notícia de que havia algo errado na escola, onde boa parte da população estudou ou tem algum conhecido matriculado, se espalhou rapidamente. Desesperados,familiares também correram para o colégio à procura de suas crianças.

Apelos pela paz
Antes mesmo da divulgação de que outras pessoas poderiam estar envolvidas no crime e circulando pela cidade, o medo de novos ataques já dominava os moradores de Suzano. A comunidade tem se unido em oração – antes dos velórios e sepultamentos, participaram de missavigília em frente à Escola Estadual Raul Brasil. Lá deixaram flores, velas e mensagens em honra aos mortos e feridos na tragédia.

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Velas e flores no muro da Escola Professor Raul Brasil, em Suzano (SP)

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