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Brasil

Sobrevivente do massacre de Suzano ganha indenização: "Ela não esquece"

Mãe de aluna que presenciou mortes de colegas em escola pública paulista relata sofrimento da filha para lidar com trauma

Repórter de Brasil11/06/2021 05:00, atualizado 11/06/2021 07:01
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Rafaela Felicciano/Metrópoles
Sobrevivente do massacre de Suzano ganha indenização: “Ela não esquece”

São Paulo – Adriana de Oliveira Martins é mãe de uma jovem que sobreviveu ao massacre de Suzano (SP), tiroteio em massa que ocorreu em um colégio público na região metropolitana de São Paulo e que deixou dez mortos em 2019. Na última quarta-feira (9/10), a filha de Adriana conseguiu na Justiça, em segunda instância, o direito de receber do estado de São Paulo uma indenização de R$ 20 mil.

A adolescente, que tinha 15 anos na época, se trancafiou em uma sala para fugir dos tiros. Ao sair da escola, a cena do massacre foi demais para ela: precisou passar por cima dos corpos de colegas, professores e funcionários mortos.

“Ela não esquece a cena, ficou com trauma e teve que fazer tratamento psicológico. Hoje, ela tem outro comportamento, é bem mais calada, teve dificuldade na escola”, afirmou a mãe, em conversa com o Metrópoles.

Adriana também relatou que a filha prefere não sair de casa, é bastante reservada e não gosta de conversar sobre o que ocorreu.

Para a Justiça, a situação da estudante, que ainda está sofrendo de abalos psíquicos, “é muito mais do que mero percalço ou dissabor”.

“Quanto à conduta, não há nenhuma dúvida, visto que o massacre se deu em uma escola pública, onde o Estado era o responsável pela segurança dos funcionários e dos alunos”, ressaltou o relator do recurso no Tribunal de Justiça de São Paulo, Marcos Pimentel Tamassia.

De acordo com mãe da sobrevivente, o trauma afetou toda a família. “Eu fiquei com receio de que minhas filhas fossem para a escola naquela época. A menor, de 6 anos, ainda fala do que aconteceu quando conhece um lugar novo. Imagina uma criança ficar com medo de ir para a escola?”

Ainda segundo Adriana, nem todas as famílias procuraram a Justiça “achando que não vai dar em nada”. “Nós procuramos [a Justiça] porque foi algo muito ruim que aconteceu com a gente. Espero que isso beneficie outras famílias. A escola mudou desde o que aconteceu, mas a gente ainda ouve muitos relatos de violência nos colégios e espero que nunca mais ninguém passe pelo que passamos”.

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Na época da tragédia, a entrada do colégio Raul Brasil foi transformada em um memorial em homenagem às vítimas
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Na época da tragédia, a entrada do colégio Raul Brasil foi transformada em um memorial em homenagem às vítimas

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Massacre de Suzano

Em março de 2019, Guilherme Taucci Medeiros, 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, 25 anos, invadiram o Colégio Raul Brasil, que fica em Suzano, município distante 55 km de São Paulo (SP).

Guilherme atirou contra alunos e funcionários. Luiz Henrique atingiu o maior número de pessoas que conseguiu com golpes de machadinha.

Dez pessoas morreram: cinco alunos, duas funcionárias, os dois ex-alunos e autores do crime, além do tio de um dos atiradores.

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