Senadora desabafa sobre relacionamento abusivo: “Não tinha informação”
Daniella Ribeiro (PSD-PB) viveu uma relação abusiva antes de assumir no Senado. A proteção às mulheres foi a tônica de seu mandato
atualizado
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A senadora Daniella Ribeiro (PSD-PB) fez um desabafo sobre sua trajetória pessoal nesta terça-feira (10/03) ao inaugurar uma sala de acolhimento para vítimas de violência doméstica no Senado, em Brasília.
A parlamentar relatou que viveu uma relação afetiva que pode ser considerada abusiva após ter se separado de seu primeiro marido e pai dos seus filhos. “Foi um namoro de cerca de um ano com um juiz, não vou falar o nome da pessoa, que ficou no meu passado, mas foi um envolvimento com muitas características que, atualmente, sei que são “red flags””.
As “red flags” (bandeiras vermelhas) são sinais aos quais as mulheres devem estar atentas para evitar relacionamentos tóxicos, que ameaçam tanto sua saúde física como mental. O ciúme excessivo e a necessidade de controle por parte do parceiro são algumas bandeiras vermelhas.
“Antes desse relacionamento, havia sido casada por vinte e um anos. Não tinha conhecimento sobre muitas dinâmicas de casal, por isso, considero importante levar informações sobre esse assunto para as mulheres”, afirmou Daniella Ribeiro.

A experiência pessoal e o reconhecimento de que o machismo é um problema estrutural motivou Daniella, que está encerrando seu primeiro mandato no Senado, a criar um programa de prevenção à violência doméstica chamado “Antes que aconteça”.
O programa apoia tanto ações preventivas como inciativas de assistência às vítimas, como a estruturação de salas semelhantes às que ela inaugurou no Senado em espaços públicos.
“As salas lilás são espaços de acolhimento, onde as vítimas têm apoio para desabafar, para entender o que está acontecendo com elas e saber quais providências podem ser tomadas para protegê-las”, explicou a parlamentar.
O atendimento na sala lilás do Senado será destinado às servidoras da Casa e será coordenado por uma policial legislativa. O agendamento será feito com hora marcada. O espaço foi escolhido em um local discreto e com acessibilidade para que possa ser acessado facilmente. Segunda Daniella, a sala também servirá de espaço para que a inciativa seja apresentada para gestores interessados em replicá-la.
“Maria da Penha” nas escolas
Durante a apresentação da sala lilás do Senado, a parlamentar lembrou sobre a importância da implantação da Lei 14.164/2021, que institui a prevenção da violência contra a mulher nos currículos da educação básica. Daniela foi relatora da proposta no Senado e lamenta que a lei, já sancionada pelo Executivo, ainda não seja alvo de ações de amplitude nacional.
“O combate à violência de gênero não é assunto nem de direita e nem de esquerda. É um assunto de toda a sociedade. Considero que, se a violência contra a mulher estivesse sendo debatida na escola desde a criação da Lei Maria da Penha, já teríamos uma geração de homens educados com outros valores”, afirmou.
