Sala-cofre da CPMI é marcada por desorganização e longas buscas em dados de Vorcaro. Siga a cobertura no Youtube
Comissão recebeu nova leva de arquivos do banqueiro Daniel Vorcaro. Acesso restrito e falta de ferramentas geram frustração
atualizado
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Os três primeiros dias de funcionamento da sala-cofre da CPMI do INSS, que armazena uma nova leva de dados de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foram marcados por longas horas de trabalho de parlamentares e assessores em busca de informações relevantes nos mais de 400 GB de arquivos brutos e desindexados.
Dados da quebra de sigilo telemático do banqueiro chegaram ao colegiado por meio da Apple, que encaminhou conteúdos armazenados em nuvem vinculados às contas de Vorcaro.
A CPMI liberou, na sexta-feira (13/3), o material sem qualquer tratamento prévio ou ferramenta de consulta. A decisão foi tomada para permitir que parlamentares e assessores tenham acesso imediato aos dados, considerando a falta de perspectiva para a prorrogação do colegiado, que pode ter de encerrar os trabalhos no próximo dia 28.
O acesso aos arquivos também conta com regras mais rígidas. Após a Polícia Federal abrir um inquérito para investigar o vazamento de dados sigilosos relacionados ao banqueiro, o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), determinou que a nova remessa permaneça restrita à sala-cofre da CPMI, um ambiente de acesso controlado e sem conexão à internet.
A sala-cofre é dividida em dois espaços: o primeiro, maior, tem cinco computadores; o segundo, de tamanho reduzido, tem dois. O espaço comporta até sete pessoas simultaneamente, sem limite de tempo de permanência. Parlamentares têm prioridade no acesso.
Os arquivos da nova leva de dados de Daniel Vorcaro foram organizados em pastas, mas sem indexação — isto é, sem identificação clara ou ferramentas de pesquisas sobre o conteúdo. Como mostrou o Metrópoles, a falta de organização causou frustração entre parlamentares e assessores já no primeiro dia de consulta, que tiveram dificuldade para encontrar informações de forma mais eficaz.
Ainda no primeiro dia, a equipe técnica do Senado instalou a ferramenta forense Iped, desenvolvida por um ex-perito da Polícia Federal. O sistema é capaz de analisar os arquivos e identificar imagens e documentos presentes no material. No entanto, devido ao grande volume de dados armazenados na nuvem, o processo de indexação ainda estava em andamento no domingo.
Além da dificuldade para localizar conteúdos específicos, parlamentares e assessores também relataram problemas de acesso aos arquivos. Alguns documentos exigiam senha para serem abertos, enquanto outros, como e-mails, exigiam conexão com a internet. Diante das reclamações, a equipe técnica do Senado atuou novamente e liberou o acesso à rede no sábado (14/3).
CPMI versus Vorcaro
- O presidente da CPMI afirmou que ouvir o dono do Banco Master é uma “questão de honra” para a comissão.
- Criado para investigar fraudes na Previdência, o colegiado ampliou o escopo das apurações para incluir irregularidades em empréstimos consignados.
- O banqueiro é investigado por fraudes financeiras e permanece preso preventivamente na Penitenciária Federal de Brasília.
- Vorcaro já foi convocado a depor, mas, por decisão do ministro André Mendonça, do STF, conseguiu flexibilizar a presença.
- O banqueiro também teve os sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados pela comissão.
Contatos de ministros e festas
Apesar das dificuldades, parlamentares e assessores relataram ter encontrado fotos de Vorcaro em festas com autoridades, além de uma extensa lista de contatos. Entre os nomes registrados na agenda estão ministros do STF, como Alexandre de Moraes, e o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).
Segundo parlamentares, alguns contatos também estavam salvos com nomes de animais, o que, na avaliação deles, seria uma tentativa de ocultar a identidade real das pessoas.








