Reportagem sobre Dino: defesa de Cutrim aponta "precedente perigoso"
Em relatório enviado ao STF, PF diz que descobriu fonte de matéria contra Flávio Dino após acessar WhatsApp no notebook de jornalista

Em entrevista ao Contexto Metrópoles nesta segunda-feira (17/8), a defesa do ex-secretário de Estado do Maranhão Raimundo Cutrim fala em “precedente perigoso” em decisão do ministro Alexandre de Moraes que pediu a quebra do sigilo de fonte jornalística envolvendo denúncia contra Flávio Dino no Maranhão.
De acordo com o advogado José Berilo de Freitas Leite Filho, Cutrim será ouvido pela Polícia Federal (PF) na tarde desta terça-feira (18/8) para “apresentar suas versões dos fatos” envolvendo o fornecimento de informações para o jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida.
“Ele não vai dizer que não foi ele que mandou [as informações], porque isso não tem como negar, mas [ele vai dizer] que isso não representa nenhum tipo de crime. Fornecer dados e elementos para jornalistas, na nossa visão, não significa crime, porque senão você está criminalizando também a profissão do jornalista, criminalizando a advocacia e criminalizando uma série de profissões, até porque isso é um precedente absurdo e perigoso“, argumenta Berilo.
No caso em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF) e sob relatoria de Moraes, Cutrim é apontado como a fonte de um jornalista que revelou o uso indevido de veículos funcionais por familiares de Flávio Dino. A origem da informação foi revelada após decisão de Moraes que determinou busca e apreensão contra o jornalista Luís Pablo Conceição Almeida.
Em relatório enviado à Suprema Corte, a PF relatou ter descoberto, por meio do WhatsApp Web do profissional, a fonte que passou as informações usadas na reportagem contra Flávio Dino. Ainda em entrevista ao Metrópoles, a defesa de Cutrim falou em “questão política” ao citar as decisões envolvendo o ex-secretário no STF.
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- Há dois casos envolvendo Cutrim no STF, um sob relatoria de Alexandre de Moraes e outro sob relatoria de Flávio Dino.
- No caso do qual Dino é relator, o ex-secretário é suspeito de ter atuado para obstruir as investigações envolvendo o assassinato de um empresário maranhense que teria negociado propina com o governo do Maranhão. O caso ocorreu em 2022 e ficou conhecido como Tech Office. De acordo com Berilo, Dino pediu a prisão de Cutrim neste inquérito.
- No segundo inquérito, do qual Dino é apontado como vítima, o relator é o ministro Alexandre de Moraes. No caso, Cutrim é apontado como a fonte de um jornalista que revelou o uso indevido de veículos funcionais por familiares de Flávio Dino. Neste caso, Moraes determinou a quebra do sigilo da fonte do jornalista Luís Pablo, além de busca e apreensão contra Cutrim.
Clima de animosidade
Segundo a defesa do ex-secretário, existe um “clima de animosidade” entre Dino e Raimundo Cotrim. José Berilo afirma ainda que a situação é observada com viés político, sobretudo em um contexto eleitoral no Brasil, no qual há uma disputa acirrada entre grupos políticos no Maranhão.
“Vemos tudo isso como questão política, nós estamos a poucos dias das eleições […] fica muito estranho alguém que foi governador do estado do Maranhão e agora é ministro do STF, julgar causas de inimigos políticos, como o governador [do Maranhão, Carlos Brandão] e o delegado aposentado Raimundo Cutrim. Me soa estranho. Então, a preocupação é latente”, pontua a defesa.
Clima político no Maranhão
Ainda em entrevista ao Contexto Metrópoles, José Berilo explica que o policial federal aposentado Raimundo Cutrim fazia parte do grupo político formado por Dino e Carlos Brandão no Maranhão, mas que eles romperam após desarranjos políticos no estado.
A afinidade política entre os dois os levou a construção de uma chapa para o governo no estado, com Flávio Dino como governador e Carlos Brandão como vice — chapa que comandou o estado entre 2015 e 2022. Após isso, Dino foi eleito senador, assumiu o Ministério da Justiça em 2023 e depois foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para assumir uma vaga no STF.
Carlos Brandão (sem partido) assumiu o governo do Maranhão em abril de 2022. Desentendimentos entre os dois, contudo, levaram a um rompimento entre dinistas e a família Brandão. De acordo com fontes do estado consultadas pelo Metrópoles, a falta de compromissos dos dois lados envolvendo cargos e acordos, levou ao rompimento dos grupos.
O rompimento se consolidou depois que Carlos Brandão decidiu lançar o próprio sobrinho, Orleans Brandão (MDB) como seu sucessor ao Palácio dos Leões, rompendo uma aliança da esquerda maranhense.







