Morre o jornalista Márcio Chaer, em São Paulo, ao perseguir ladrão
Ele era diretor executivo da Revista Consultor Jurídico (ConJur) e morreu ao sofrer um infarto
03/10/2026 15:44

O jornalista Márcio Chaer morreu, neste sábado (3/10). Segundo apurou o Metrópoles, Chaer sofreu um infarto enquanto tentava perseguir um ladrão nas proximidades da Estação Armênia, em São Paulo.
Chaer estava em um carro com outras pessoas perto da estação quando foi assaltado.
Ele era diretor executivo da Revista Consultor Jurídico (ConJur).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que recebeu com imensa tristeza o falecimento do jornalista Márcio Chaer. “Defensor inegociável do Estado Democrático de Direito, Chaer pautou sua atuação jornalística na coragem e no sentimento de justiça. No auge da Lava Jato, não hesitou em abrir espaço para críticas aos abusos e violações então cometidas. Aos familiares, amigos e colegas do Conjur, expresso meus sentimentos neste momento de dor”, afirmou o presidente.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Grande AngularO ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, disse que recebeu a notícia do falecimento com profundo pesar. “Jornalista dedicado e importante difusor da cultura jurídica nacional, deixa uma contribuição inestimável e uma marca especial em todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo e acompanhar seu trabalho. Neste momento de dor, manifesto minha solidariedade aos familiares, e demais amigos, desejando-lhes força e serenidade”, declarou.
O ex-ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Bruno Dantas também se manifestou. “Perdi hoje um amigo querido. Marcio Chaer era homem de fibra, coragem e caráter. Mas guardarei, sobretudo, sua lealdade inabalável aos amigos”, disse.
Em nota, a Conjur lamentou a morte do fundador da revista jurídica. “Chaer fez carreira em grandes veículos de imprensa até fundar a ConJur em 1997. O site, pioneiro na cobertura especializada do Judiciário no Brasil, fez de Chaer uma das grandes referências nacionais na área. Ele deixa uma legião de amigos entre profissionais da comunicação, magistrados, advogados e demais operadores do Direito”.
STF
O ministro presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, lamentou a morte de Chaer. Em nota, Fachin afirmou que ele deixa um importante legado ao jornalismo especializado na cobertura do Poder Judiciário. “Profissional apaixonado pelo que fazia, construiu ao longo da vida um caminho marcado pela dedicação à informação de qualidade e ao fortalecimento das instituições republicanas”, disse. “Pioneiro na comunicação especializada da Justiça, Marcio Chaer enxergou com lucidez a importância de aproximar o Direito da sociedade, promovendo um jornalismo analítico”.
O ministro Cristiano Zanin disse que Márcio Chaer “era um profundo conhecedor dos temas afeitos à justiça e ao direito no país”. “Há quase 30 anos, inaugurou a revista eletrônica Consultor Jurídico (ConJur), pioneira na cobertura especializada sobre o Poder Judiciário. Ao longos de todo esse período, o portal se transformou em referência para quem busca informações confiáveis sobre o que acontece nos tribunais e na advocacia no Brasil.Chaer empunhava, como poucos, a defesa do Estado de Direito Democrático no Brasil. Seu legado permanecerá vivo”, completou.
O também ministro do STF Gilmar Mendes declarou “profunda tristeza” e disse que o jornalista “era um defensor das instituições e um entusiasta da difusão do conhecimento”. “Fugia do superficial. Nos momentos mais agudos da vida nacional, teve coragem e destemor para sustentar posições contramajoritárias, sempre leal aos fatos e ao senso de justiça”, afirmou o ministro. “À sua família, aos amigos e à equipe do ConJur, expresso minhas sinceras condolências e meu respeito por aquele que foi, e continuará sendo, uma referência para o jornalismo e para o Direito no Brasil”, acrescentou.
Dias Toffoli, ministro do STF, afirmou que perdeu “um amigo certo das horas incertas, uma pessoa leal e integra, mas que nunca desertou de sua vocação e dos valores do jornalismo ético”. “Em tempos como os atuais, a perda de Marcio Chaer e ainda mais significativa. Aos familiares, meus sinceros pêsames, especialmente ao seu filho Léo”, disse.
O ministro Alexandre de Moraes declarou que Marcio Chaer “representava o melhor do jornalismo, com inteligência, seriedade, competência e independência”. “Tornou-se o maior e melhor jornalista especializado no Poder Judiciário brasileiro, sempre defendendo de maneira intransigente o Estado Democrático de Direito. Meus sentimentos a seus familiares e amigos, na certeza de que Marcio Chaer combateu o bom combate”, acrescentou o ministro.
Repercussão
Em nota, o presidente do Superior Tribunal de Justiça e o Conselho da Justiça Federal, o ministro Luis Felipe Salomão, manifestou “extremo pesar pelo falecimento de Márcio Chaer, um dos principais jornalistas brasileiros”. “Sua atuação revolucionou a cobertura do Poder Judiciário. Um pouco de todos que defendem e respeitam a Justiça brasileira vai com ele. Que a família e os amigos se sintam confortados, pois Chaer foi um grande guerreiro. O exemplo de seriedade e comprometimento de Márcio Chaer com o jornalismo e com o Judiciário permanecerão para sempre na história do país”, concluiu.
O Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, também lamentou a morte do jornalista. Gonet disse que o legado de Chaer “se projeta para além de sua obra e alcança todos aqueles que, no jornalismo, na magistratura, no Ministério Público, na advocacia e na academia, encontraram em seu trabalho uma fonte permanente de informação e reflexão”. “O Ministério Público Federal solidariza-se com os familiares, amigos, colegas de profissão e colaboradores de Márcio Chaer, expressando seu reconhecimento por sua trajetória e por sua relevante contribuição à imprensa e à cultura jurídica brasileira”, completou.
Em nota, a OAB de São Paulo afirmou que Chaer “teve papel fundamental na qualificação da cobertura sobre o sistema de Justiça, contribuindo para ampliar o debate público sobre o Direito, as instituições e as garantias fundamentais, em diálogo permanente com a advocacia e com os diferentes atores da Justiça”.





