
Igor GadelhaColunas

Jornalista que investigou Dino fica em silêncio em depoimento à PF
Jornalista que publicou reportagens contra familiares de Flávio Dino foi ouvido por delegado da PF que já pegou depoimento de Bolsonaro
atualizado
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Alvo do STF após reportagens contra familiares do ministro Flávio Dino, o jornalista maranhense Luis Pablo Almeida optou por ficar em silêncio durante depoimento à Polícia Federal (PF) na tarde da sexta-feira (13/3).
Pablo decidiu silenciar após ser informado pela PF de que, como jornalista, teria o direito constitucional de preservar o siglo da fonte e de que estava sendo inquirido na qualidade de invstigado por suposto crime de perseguição.
“INFORMADO que na qualidade de jornalista tem o direito constitucional de preservação do sigilo da fonte, bem como de que está sendo inquirido na qualidade de investigado, podendo ao final ser acusado do crime de Perseguição, tipificado no art. 147-A do Código Penal, tendo, portanto, direito de permanecer em silêncio, não respondendo às perguntas sobre os fatos apurados, e PERGUNTADO se pretende exercer tal direito; RESPONDEU que pretende permanecer em silêncio”, diz o trecho do depoimento do jornalista, ao qual a coluna teve acesso.
O delegado que conduziu o depoimento
A oitiva de Pablo foi conduzida pelo delegado da PF Antonio Carlos Knoll de Carvalho, que já atuou em outros inquéritos relatados pelo ministro do STF Alexandre de Moraes.
Em dezembro de 2025, por exemplo, Knoll foi o responsável por pedir uma oitiva com Jair Bolsonaro, após encontrar documentos que teriam relação com a trama golpista em cofres no Palácio da Alvorada.
Um mês antes, em novembro, Knoll foi promovido na PF ao posto de chefe da Divisão de Segurança Ativa e Polícia Judiciária, ligado à Coordenação-Geral de Proteção Preventiva da Diretoria de Proteção à Pessoa da corporação.
A investigação contra o jornalista
O depoimento do jornalista ocorreu três dias após ser alvo de busca e apreensão por publicar reportagens sobre o uso irregular de carros oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) por familiares de Flávio Dino.
O jornalista passou a ser investigado após o próprio Dino acionar a Polícia Federal, depois da publicação das reportagens. No Supremo, o caso foi inicialmente distribuído ao ministro Cristiano Zanin.
Zanin, entretanto, decidiu enviar o processo a Alexandre Moraes, por entender que a denúncia estaria no âmbito do inquérito das fake news, aberto em 2019 para apurar ataques contra ministros do STF.
Apesar de o próprio Moraes ter destacado essa relação no despacho em que autorizou a operação contra o jornalista, a assessoria do STF diz que o inquérito contra Pablo é separado do inquérito das fake news.
A Procuradoria-Geral da República (PGR), como noticiou a coluna, foi favorável à operação, citando argumentos que apontam “fortes elementos” de “obtenção ilícita de informações reservadas” relacionadas a Dino.



