PF: ex-secretário operava núcleo para proteger cúpula do Maranhão
Segundo a PF, ex-secretário repassou R$ 160 mil e atuou para evitar delações que poderiam atingir integrantes da família Brandão

A Polícia Federal (PF) descreve o ex-secretário do Maranhão Raimundo Cutrim, alvo de uma operação autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes nesta semana, como operador de uma espécie de “núcleo de contrainteligência” destinado a obstruir investigações que atingem a cúpula política maranhense.
Segundo as investigações, Cutrim teria usado a experiência como delegado aposentado para atuar na coação de testemunhas, em tentativas de suborno e em fraudes processuais.
A PF afirma que o objetivo das manobras era garantir o “silêncio absoluto” sobre a suposta participação de agentes públicos e integrantes da família Brandão em crimes que incluem corrupção e um homicídio ocorrido em 2022.
Os investigadores apontam que Cutrim teria repassado cerca de R$ 160 mil em espécie a familiares de investigados presos. Segundo a PF, ele atuava como interlocutor estratégico da família Brandão para evitar que investigados firmassem acordos de colaboração com o Supremo Tribunal Federal (STF).
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Manoela AlcântaraEm áudios obtidos pela PF, o ex-delegado aparece instruindo familiares a construir uma versão de “estado de necessidade” para justificar mudanças em depoimentos e, segundo os investigadores, isentar Daniel Brandão, atual presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA), de qualquer participação no homicídio do empresário João Bosco, em 2022.
De acordo com a PF, há elementos de que Cutrim atuou para que Gilbson Júnior, apontado como responsável pela morte de Bosco, e a esposa dele alterassem versões apresentadas em depoimentos.
A investigação aponta ainda encontros entre Cutrim e o pai de Gilbson que teriam como objetivo afastar a participação do conselheiro do TCE-MA no caso. Gilbson está preso na Penitenciária Federal de Brasília.
Daniel Brandão é sobrinho do governador do Maranhão, Carlos Brandão. Segundo a PF, o conselheiro estaria presente na reunião que resultou no assassinato de Bosco, mas seu nome teria sido omitido das investigações conduzidas pela Polícia Civil do Maranhão, que concluiu o inquérito tratando o episódio como uma briga privada.
Além do conselheiro, a PF aponta que o grupo teria contado com o apoio financeiro de Marcus Brandão, irmão do governador. Segundo os investigadores, ele seria a origem de parte dos recursos em espécie movimentados por Cutrim.




