Primeiro a morrer de Ômicron no Brasil pegou vírus em abrigo de idosos
Local está sendo monitorado pela Vigilância Sanitária. Cinco casos de Covid já foram confirmados entre o público interno, segundo prefeitura

Goiânia – O paciente de 68 anos, confirmado nessa quinta-feira (6/1) como a primeira morte no Brasil causada pela variante Ômicron da Covid-19, morava em um abrigo de idosos em Aparecida de Goiânia (GO). Ele teria pego a doença no local, segundo a Secretaria Municipal de Saúde do município.
O secretário de Saúde local, Alessandro Magalhães, conversou com o Metrópoles na manhã desta sexta-feira (7/1). Ele informou que o abrigo, que é uma entidade filantrópica não vinculada à prefeitura e que atua em Aparecida, está sendo monitorado pelo setor de Vigilância Sanitária.
Até então, segundo ele, cinco casos de Covid foram confirmados no local, o que configura quadro de surto da doença. O nome do abrigo e nem do paciente não foram divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
Sequenciamento
Desses cinco casos, dois são de duas idosas que já haviam sido diagnosticadas com a variante Ômicron, durante o trabalho de sequenciamento genômico feito pela prefeitura. As duas senhoras estão bem e já vinham sendo acompanhadas pelos profissionais de saúde. Acredita-se que o idoso que faleceu possa ter pego a doença em algum contato com elas.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Nós acreditamos que alguém, numa visita ou algum trabalhador, diante do contexto de transmissão comunitária da variante na cidade, possa ter levado o vírus lá para dentro. Surtos em abrigo ocorrem porque alguém de fora leva o vírus”, aponta Alessandro.

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Ver todasO idoso de 68 anos morava no local já há algum tempo. Ele possuía comorbidades, como doença pulmonar obstrutiva crônica e hipertensão. Por ser institucionalizado e viver em abrigo, ele entrou no primeiro grupo de vacinação do Plano Nacional de Imunização (PNI) e já havia tomado a terceira dose da vacina.
As duas primeiras doses foram de Coronavac e a terceira, aplicada no dia 1º de setembro de 2021, foi de Pfizer. A família dele também está sendo acompanhada pelos técnicos da prefeitura. Até o momento, todos estão saudáveis, sem apresentar sintomas ou suspeita da doença.
Quadro agravou-se rapidamente
O senhor apresentou os primeiros sintomas da Covid no dia 20/12, como tosse, dispnéia, desconforto respiratório e saturação abaixo de 95%. No dia 24/12, ele deu entrada numa Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Aparecida, já em situação agravada.
“Foram quase 48h para estabilizá-lo e ter condições de transporte para levá-lo para o hospital municipal”, conta Alessandro.
A transferência ocorreu no dia 26/12 e menos de 24h depois, à 1h31 do dia 27/12, ele morreu em decorrência de um choque séptico ocasionado pela Covid-19.
“Como ele já tinha histórico de contato com pessoas (as duas idosas moradoras do mesmo abrigo) que a gente já havia sequenciado e confirmado que era Ômicron, sequenciamos a amostra dele também”, relata o secretário de Saúde. O resultado positivo para a variante saiu nessa quinta-feira.
Variante chegou à cidade após evento religioso
A chegada da Ômicron ao município, conforme a investigação epidemiológica feita pela prefeitura de Aparecida de Goiânia, ocorreu após um evento religioso, no qual estavam presentes duas pessoas que tinham acabado de chegar da África.
Com a identificação de casos de Covid entre os presentes, nos dias seguintes ao evento, a Vigilância local conseguiu mapear todos aqueles que tiveram contato com essas duas pessoas. Em seguida, identificou-se um avanço da doença entre os integrantes desse grupo e verificou-se, por meio de sequenciamento em laboratório, que tratava-se da Ômicron.
Transmissão acelerada
Até então, 55 casos da variante já foram confirmados na cidade. No início de dezembro, ela representava 15% das amostras analisadas no laboratório vinculado à prefeitura. Nessa última semana, elas já corresponderam a 93% dos resultados.
O quadro de transmissão comunitária foi confirmado pela SMS já em dezembro, dias depois das primeiras confirmações. No decorrer dos sequenciamentos, segundo Alessandro, eles chegaram a duas pessoas com variante Ômicron que já não tinham histórico de contato com as pessoas que estavam no tal evento.
“Não conseguimos mais rastrear a origem, a partir de então”, revela ele. A variante alastrou-se. “Percebemos que ela transmite muito rápido. Nós projetávamos a prevalência dela para a segunda quinzena de janeiro, mas ela já ocorreu na primeira semana deste mês”, expõe o secretário.
Alessandro acredita que a chegada da variante, somada ao período de festas e aglomerações de final de ano, acelerou o ritmo de transmissão da Covid em Aparecida de Goiânia. “No dia 22 de dezembro, o índice de positividade entre os testados na cidade estava em torno de 5%. Hoje, a média móvel está em torno de 17%”, revela.



































