Goiânia tem índice de Covid semelhante ao da fase crítica da pandemia

Testagem em massa feita pela prefeitura da capital chega a índices de casos positivos quatro vezes maior, comparados a novembro e dezembro

atualizado 07/01/2022 6:51

testagem da covid-19 em goiânia, goiásVinícius Schmidt/Metrópoles

Goiânia – A severidade da pandemia aumentou na capital goiana, após as festas e confraternizações de fim de ano. Um reflexo claro disso está nos índices de casos positivos da Covid-19 na testagem em massa feita pela prefeitura nos últimos dias. Eles se assemelham, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), ao que foi registrado no período mais crítico da pandemia, no primeiro semestre de 2021.

Em meados de novembro e início de dezembro, conforme a diretora de Vigilância Epidemiológica Grécia Carolina Pessoni informou ao Metrópoles, os casos positivos vinham oscilando entre 3% e 5% de todo o público testado pela prefeitura da cidade. Nos primeiros dias deste ano, o índice quadriplicou e está entre 13% e 20%.

Para se ter ideia, na testagem feita na quinta-feira (6/1) no Parque Mutirama, na região central da capital, o índice de positivações foi de 15,2%. Dos 1.003 pacientes testados, 153 foram confirmados com Covid-19. Já em outro ponto de verificação, no setor Vera Cruz, região oeste da cidade, o índice foi até maior: 19,4%. Dos 1.007 pacientes testados, 164 estão com a doença.

Tais percentuais, dado o avanço rápido da Covid, ainda mais com a circulação da variante Ômicron, permitem dizer que, de cada cinco pessoas de Goiânia, a chance é de que pelo menos uma esteja contaminada com a doença.

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Positivações

“Subiu muito o número de casos positivos”, diz Grécia. Além disso, com o aumento de casos suspeitos e pessoas com sintomas gripais, elevou-se, ainda, as buscas pelos pontos de testagem rápida gratuita. “A gente vinha testando em torno de 700 pessoas por dia. Hoje, o público oscila entre 1,5 mil e 1,8 mil”, conta ela. Ou seja, duplicou.

Uma multidão de pessoas foi até o estacionamento do Mutirama na quinta para se testar. Algumas chegaram a levar cadeiras para esperar na fila e já havia gente no local 1h antes do início da testagem.

O servidor público Denúbio Antônio Lima, de 27 anos, contou ao Metrópoles que chegou ao local às 7h e só conseguiu sair com o teste feito às 13h – exatas 6h de espera. “Teve gente que levou cadeira, sombrinha, choveu ainda… Virou uma multidão”, relatou.

Festas de fim de ano

A diretora de Vigilância Epidemiológica de Goiânia avalia que as festas de fim de ano ajudaram nesse aumento de casos, mas ela reflete que as aglomerações não se restringem apenas ao Natal e Ano Novo. “Um mês antes já começam as confraternizações, festas de empresa, repartições, formaturas, festas de escola… São muitos eventos, e aí começa a transmissão acelerada”, afirma.

Na própria Prefeitura de Goiânia, mais de um órgão teve parte significativa dos servidores acometida pela Covid-19 neste início de 2022. A Agência Municipal de Meio Ambiente (Amma) fechou as portas nessa quinta e sexta-feira (7/1), em decorrência das dezenas de casos confirmados. Até o prefeito da cidade, Rogério Cruz (Republicanos), foi diagnosticado pela segunda vez com a doença.

Para Grécia, houve um relaxamento natural na maneira como as pessoas encaram a pandemia. Não só pela vacinação, mas também pelo cansaço de manter-se alerta diante do risco de contaminação, ela acredita que a população deixou de se cuidar como vinha cuidando antes.

“A gente entende, mas o cuidado é individual. Para a pessoa não adquirir Covid, ela tem que se proteger individualmente. Mesmo cansado, a gente tem que insistir e manter os cuidados necessários”, diz ela.

Caso de Flurona e morte por Ômicron

A quinta-feira foi de notícias graves para a Saúde goiana. Na capital, confirmou-se o primeiro caso de coinfecção por Covid e influenza H3N2 do estado, que é a chamada Flurona. E em Aparecida de Goiânia, na região metropolitana, confirmou-se o primeiro caso de morte pela variante Ômicron do Brasil.

O caso de Flurona é de uma mulher, de cerca de 60 anos. Ela é profissional de saúde e recorreu a um laboratório particular para fazer a testagem da Covid, após apresentar sintomas gripais. No local, descobriu-se que ela estava não só com a doença, mas também com influenza.

A senhora foi encaminhada, em seguida, para o Laboratório Central de Saúde, onde foi feita nova coleta da amostra de sangue para permitir o sequenciamento genômico do vírus. A intenção é averiguar qual variante da Covid ela pegou. Até então, a mulher apresenta sintomas leves e está sendo monitorada.

Já em Aparecida, onde a Ômicron circula comunitariamente, desde dezembro, um senhor de 68 anos foi a primeira vítima da variante no Brasil. Ele era hipertenso e tinha doença pulmonar obstrutiva crônica. Apesar de ter tomado as três doses da vacina, ele não resistiu e faleceu na madrugada do dia 27/12, após sofrer um choque séptico.

O senhor estava internado no Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia (HMAP) e teria tido contato com uma pessoa que já estava com caso confirmado de Ômicron pela prefeitura da cidade.

Ocupação de leitos

Diante do avanço dos casos, o índice de ocupação dos leitos voltados para a doença no estado voltou a ser significativo. No início da manhã desta sexta-feira (7/1), por volta das 7h, a taxa de ocupação dos leitos de unidades de terapia intensiva (UTIs) estava em 43,2%. O total de leitos específicos no estado é de 462 e 200 estavam ocupados. Já a taxa dos leitos de enfermaria estava em 26%. Dos 1.007 existentes, 262 estavam ocupados.

Já na capital, onde existem atualmente 227 leitos de UTI para pacientes suspeitos ou confirmados com Covid, no início da manhã de sexta, 99 estavam ocupados (43,6%). Já em relação às enfermarias, das 221 existentes, 100 estavam ocupadas (45.2%).

Os dados estão disponíveis no painel de informações on-line sobre a doença  no site da Secretaria de Estado da Saúde (SES).

Na fase mais crítica da pandemia, o índice de ocupação dos leitos voltados para Covid-19 em Goiás girou em torno de 100%. Cabe observar, inclusive, que à época a quantidade de leitos era maior. Com o recuo nos casos da doença ao longo de 2021, o número de leitos específicos para a doença foi sendo gradativamente desmobilizado.

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