Eleição 2026

Pressionado por pesquisas, Lula tenta conter crise dos combustíveis

Pacote tenta segurar preço do diesel, afetado pela guerra no Irã, após pesquisas indicarem cenário mais difícil para Lula na disputa

atualizado

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1 de 1 lula-visita-ramaphosa - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, nesta quinta-feira (12/3), um pacote de medidas para reduzir o impacto da guerra no Irã sobre o preço dos combustíveis no Brasil. O movimento ocorre em meio a uma semana de notícias negativas para o governo, após a divulgação de pesquisas eleitorais que indicam desafios para o petista na tentativa de reeleição em outubro.

Na quarta-feira (11/3), nova rodada da pesquisa Genial/Quaest trouxe sinais de alerta ao Palácio do Planalto. No primeiro turno, Lula mantém vantagem numérica em todos os cenários testados, mas já aparece empatado dentro da margem de erro com o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em algumas simulações.

O que assustou a equipe do presidente foram as quedas registradas.

No segundo turno, pela primeira vez na sondagem, Lula e Flávio aparecem empatados: ambos têm 41% das intenções de voto. Em relação ao levantamento anterior, divulgado em fevereiro, o petista caiu dois pontos percentuais, enquanto o senador cresceu três. Em dezembro, a diferença entre os dois era de 10 pontos a favor do petista.

Outras pesquisas recentes apontam tendência semelhante. Levantamento da Atlas/Bloomberg, divulgado no fim de fevereiro, já indicava empate técnico entre os dois em eventual segundo turno. Já sondagens da Paraná Pesquisas e da AtlasIntel chegaram a apontar Flávio numericamente à frente do atual presidente em algumas simulações.

Economia

Os dados também mostram piora na percepção sobre a economia. Segundo a Quaest, 48% dos brasileiros avaliam que a situação econômica do país piorou nos últimos 12 meses — maior índice desde setembro do ano passado. Em fevereiro, esse percentual era de 43%.

A expectativa para os próximos meses também se deteriorou: 34% dos entrevistados afirmam acreditar que a economia vai piorar no próximo ano.

A grande aposta do governo para melhorar a popularidade de Lula — a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil — ainda não apresentou impacto relevante na percepção dos eleitores.

Segundo a Quaest, 31% dizem ter sido beneficiados pela medida, ante 30% em fevereiro. Antes da aprovação da proposta, em outubro, 61% esperavam ser contemplados.

 

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Lula, do PT, e Flávio Bolsonaro, do PL: empate entre ambos evidencia alguns erros essenciais da análise política
AGU pede investigação sobre preços de combustíveis
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AGU pede investigação sobre preços de combustíveis
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Diante do cenário político pouco animador e da possibilidade de alta nos preços de combustíveis devido ao conflito no Oriente Médio, o governo anunciou uma série de ações para tentar, não só reduzir os impactos no mercado interno, como também evitar mais um desgaste com a população a menos de 5 meses do primeiro turno das eleições.


Variação do petróleo

  • O preço do barril de petróleo passou a subir após a escalada do conflito envolvendo Israel, Irã e Estados Unidos, no fim de fevereiro. Navios mercantes que trafegam pelo Estreito de Ormuz, principal rota do petróleo mundial, foram alvo de ataques do Irã.
  • Nessa quinta, o preço da commodity voltou a ultrapassar a marca dos US$ 100 por barril. A preocupação do governo é que o aumento provoque reflexos na economia brasileira, elevando o preço dos combustíveis, em especial o diesel e, consequentemente, impactando a inflação.
  • Nos últimos dias, alguns postos já registraram aumento, mesmo sem reajuste por parte da Petrobras. Isso ocorre porque uma parcela significativa do combustível vendido no país é importada ou produzida por refinarias privadas, que costumam acompanhar, com mais rapidez, as variações do mercado internacional.

Medidas anunciadas

As ações foram apresentadas em coletiva no Palácio do Planalto com a presença dos ministros Rui Costa (Casa Civil), Fernando Haddad (Fazenda) e Alexandre Silveira (Minas e Energia), além do secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa. Lula, que inicialmente não participaria do evento, compareceu e discursou.

Entre as medidas anunciadas está um decreto que zera as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel, os dois impostos federais incidentes sobre o combustível. Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a medida pode reduzir o preço em R$ 0,32 por litro.

O governo também editou uma medida provisória que prevê o pagamento de uma subvenção de R$ 0,32 por litro a produtores e importadores de diesel. A expectativa é que o benefício seja repassado ao consumidor ao longo da cadeia de comercialização. Somadas, as duas iniciativas podem reduzir o preço em até R$ 0,64 por litro.

Além disso, o governo anunciou o reforço da fiscalização sobre possíveis práticas abusivas ou especulativas na formação dos preços nos postos. Segundo o ministro da Casa Civil, Rui Costa, a medida provisória e os decretos assinados por Lula ampliam os instrumentos de atuação da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e de outros órgãos de controle para monitorar o mercado.

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