Inflação foi medida antes de alta do petróleo após tensão no Irã
Coleta do IPCA ocorreu antes da recente escalada no Oriente Médio, que elevou cotações da commodities e pode pressionar combustíveis
atualizado
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A inflação oficial do país, divulgada nesta quinta-feira (12/3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi calculada antes da recente alta do petróleo no mercado internacional provocada pelo aumento das tensões no Oriente Médio envolvendo o Irã.
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mede a variação de preços de bens e serviços consumidos pelas famílias brasileiras.
A coleta de preços do índice, que avançou 0,70%, ocorreu antes da escalada mais recente das tensões geopolíticas na região, que levou a um avanço das cotações do petróleo nos últimos dias. No período pesquisado, o grupo dos preços de transportes teve contribuição importante para o índice, com avanço de 0,74%.
No entanto, os combustíveis não pesaram. As altas mais significativas partiram de passagem aérea (11,40), seguro voluntário de veículos (5,62%), e conserto de automóvel (1,22%) e ônibus urbano (1,14%).
No período pesquisado, houve retração de 0,47% nos preços dos combustíveis. Veja as variações por item:
- Gasolina: -0,61%;
- Gás veicular: -3,10%;
- Etanol 0,55%; e
- Óleo diesel: 0,23%.
O IBGE realiza as coletas de dados do primeiro ao último dia do mês. O ataque dos Estados Unidos ao Irã aconteceu no dia 28 de fevereiro, um sábado.
O que é IPCA
- O IPCA é calculado desde 1979 pelo IBGE. O índice é considerado o termômetro oficial da inflação e é usado pelo Banco Central (BC) para ajustar a taxa básica de juros, a Selic, que hoje está em 15% ao ano.
- Ele mede a variação mensal dos preços na cesta de vários produtos e serviços, comparando-os com o mês anterior. A diferença entre os dois itens da equação representa a inflação do mês observado.
- O IPCA mensura dados nas cidades, de forma a englobar 90% das pessoas que vivem em áreas urbanas no país.
- O índice pesquisa preços de categorias como transporte, alimentação e bebidas, habitação, saúde e cuidados pessoais, despesas pessoais, educação, comunicação, vestuário, artigos de residência, entre outros.
O movimento reflete preocupações com possíveis impactos na oferta global da commoditie, diante do risco de ampliação do conflito.
Com isso, eventuais efeitos da alta do petróleo sobre os preços domésticos ainda não aparecem no indicador divulgado.
Caso o aumento das cotações da commodity se mantenha nas próximas semanas, economistas avaliam que o impacto pode surgir nos próximos índices de inflação, principalmente por meio dos combustíveis.
O IPCA é o principal indicador de inflação do país e serve de referência para o sistema de metas de inflação perseguido pelo BC, atualmente em 3%, com taxa de tolerância de 1,5% para cima ou para baixo.
Alterações relevantes nos preços de energia e combustíveis costumam ter repercussão sobre o índice, tanto diretamente quanto por meio do custo de transporte e de produção de outros bens e serviços.
Nos últimos meses, analistas já apontavam os combustíveis como um dos fatores de risco para a inflação. A recente valorização do petróleo no mercado internacional pode reforçar essa pressão caso o cenário externo permaneça volátil.
O mercado financeiro tinha expectativas de alta para a inflação do mês de fevereiro. O Banco Daycoval projetou alta de 0,65%, puxado pela alta do grupo de serviços em função dos reajustes anuais das mensalidades escolares e a forte alta dos preços das passagens aéreas.
