Comissão deixa de reconhecer mortes de vítimas da ditadura
Mudança em estatuto tira do colegiado poder de emitir atestados de óbito de vítimas do governo militar e impede novos requerimentos

O Diário Oficial da União publicou nesta quinta-feira (16/01/2020) um novo regimento interno da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, ligada ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. A mudança do texto tira do órgão o poder de emitir atestados de óbito.
Como consequência, a comissão perde a atribuição mais efetiva para o reconhecimento pelo Estado das vítimas do governo militar. Enquanto existiu, a prerrogativa permitiu que o colegiado corrigisse versões falsas divulgadas pela ditadura para as mortes de opositores.
A alteração do regimento interno da comissão também acabou com o chamamento de familiares para protocolar requerimentos na comissão. Assim, só valem os processos já em andamento.
De acordo com o presidente da comissão, Marco Vinicius Pereira de Carvalho, a reformulação foi feita para corrigir irregularidades e adequar o regimento à Lei 9.140/95, que criou a comissão, estabeleceu sua competência e reconheceu como mortos os desaparecidos políticos.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNa prática, as mudanças no estatuto produzidas pela pasta comandada pela ministra Damares Alves reduzem as chances de reparação de vítimas e familiares pelos abusos cometidos pela ditadura.



