Oposição critica recusa de convocação de Frei Chico na CPMI do INSS

Convocação de Frei Chico era vista pela oposição como forma de desgastar o governo Lula. Pedido foi rejeitado por 19 votos a 11

atualizado

metropoles.com

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VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Ex-presidente do INSS Instituto Nacional do Seguro Social Alessandro Stefanutto é ouvido pela CPMI que apura fraudes nos descontos previdenciários do órgão Metropoles
1 de 1 Ex-presidente do INSS Instituto Nacional do Seguro Social Alessandro Stefanutto é ouvido pela CPMI que apura fraudes nos descontos previdenciários do órgão Metropoles - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

Parlamentares da oposição criticaram a rejeição do requerimento que pedia a convocação de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), para depor na CPMI do INSS. A votação ocorreu nesta quinta-feira (16/10), e o pedido foi barrado por 19 votos a 11 na comissão.

Em publicação no X (antigo Twitter), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) questionou os votos de parlamentares de esquerda e criticou o resultado.

“Por que a esquerda não quer ouvir este santo homem na CPMI do INSS? Foram bloqueados R$ 390 milhões do sindicato, que, segundo o COAF, movimentou R$ 1,2 bilhão. Bilhões de reais foram roubados de idosos e pessoas com deficiência. O sindicato do irmão de Lula está diretamente ligado aos desvios, e mesmo assim não querem ouvi-lo? Por quê?”, escreveu o parlamentar na rede social.

Veja na íntegra:

A oposição esperava que o irmão de Lula fosse convocado para depor, o que, na prática, colocaria um parente do presidente no centro das investigações e aumentaria a pressão sobre o governo. O Sindnapi é uma das entidades investigadas por realizar o cadastro de aposentados no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e operar descontos automáticos nos benefícios.


O escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023. Três meses depois, o portal mostrou que a arrecadação das entidades com descontos de mensalidade de aposentados havia disparado, chegando a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as associações respondiam a milhares de processos por fraude nas filiações de segurados.

As reportagens do Metrópoles levaram à abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) e abasteceram as apurações da Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, 38 matérias do portal foram listadas pela PF na representação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada no dia 23 de abril deste ano e que culminou nas demissões do presidente do INSS e do então ministro da Previdência, Carlos Lupi.


Manifestações da oposição

O senador Marcos Rogério (PL-RO) também utilizou as redes sociais para criticar a decisão da comissão.

“Essa semana, o sindicato teve R$ 390 milhões bloqueados por ordem do STF. E não é pouca coisa: segundo o Coaf, movimentou R$ 1,2 bilhão nos últimos seis anos. Mesmo assim, escolheram blindar. Por quê? O que querem esconder? Uma coisa é certa, quem votou contra a convocação escolheu proteger o roubo, não os aposentados”, disse o parlamentar no X.

O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) afirmou que a rejeição foi uma manobra de parlamentares de esquerda na CPMI. “Um escárnio com os aposentados assaltados no INSS. Deputados e senadores de esquerda manobram na CPMI para blindar irmão de Lula”, publicou Jordy.

O deputado Coronel Chrisóstomo (PL-AM) questionou a votação da convocação e afirmou que o irmão de Lula segue sendo blindado pela esquerda. “Estão blindando Frei Chico! Quem não deve, não teme! Por que tanto medo?”, escreveu o parlamentar nas redes sociais.

O senador Rogério Marinho (PL-RN) mostrou-se insatisfeito nas redes sociais após o fim da votação. O parlamentar afirmou que o Partido dos Trabalhadores (PT) mantém sua operação de blindagem na CPMI do INSS. “A rejeição da convocação de Frei Chico, irmão de Lula, é mais uma prova disso. A base do governo Lula barra depoimentos-chave, desvia o foco e impõe uma investigação seletiva”, diz trecho da publicação.

Em resposta à publicação de Marinho, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que a oposição irá expor “todos esses ladrões dos aposentados e pensionistas no Brasil”. “Parabéns ao nosso partido [PL] e aos parlamentares que querem defender nossos idosos dos ladrões!”, finalizou Sóstenes.

CPMI rejeita convocação

O requerimento que mirava Frei Chico foi votado em destaque na CPMI do INSS, nesta quinta, depois do acordo entre a base do governo e a oposição aliada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Governistas foram maioria e derrubaram o pedido por 19 votos a 11.

O pedido havia sido incluído na pauta pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), e fazia parte do bloco de depoimentos voltado a investigar a atuação de entidades e associações no esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários.

A oposição também queria que o sindicalista fosse em condição de testemunha, já que ele não é nominalmente investigado pelos esquemas de desvios na Previdência Social.

A pressão para a convocação de Frei Chico aumentou depois da terceira fase da Operação Sem Desconto, deflagrada no início deste mês e que teve como um dos alvos o presidente do Sindnapi, Milton Batista, conhecido como Milton Cavalo.

Segundo a CGU, a entidade sindical omitiu o nome do irmão do presidente para obter acordo de colaboração com o INSS. A CPMI ainda vai votar o pedido de prisão temporária de Milton Cavalo, que compareceu ao colegiado no mesmo dia em que a operação da PF foi deflagrada.

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