Andreza Matais

Investigados do INSS compraram 1.243 cabeças de gado a R$ 2,8 milhões

Bovinos foram comprados por presidente da Conafer e empresário, e constam em documentos da CPMI do INSS

atualizado

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Lucas Ninno/Getty Images
Retrato de gado Nelore - área de pasto da fazenda ao fundo. Metrópoles
1 de 1 Retrato de gado Nelore - área de pasto da fazenda ao fundo. Metrópoles - Foto: Lucas Ninno/Getty Images

Parte do dinheiro desviado das aposentadorias do INSS pode ter sido transformada em cabeças de gado. Nos últimos anos, dois dos investigados pela CPMI do INSS no Congresso Nacional compraram pelo menos 1.243 cabeças de gado, pelo valor total de R$ 2,88 milhões. Os animais foram adquiridos pelo presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, e pelo empresário Alexsandro Prado Santos, o “Lequinho”, de Sergipe.

As informações sobre a compra dos bovinos constam de notas fiscais emitidas pelos dois, usando os próprios CPFs, entre os anos de 2020 e 2025. Os documentos foram obtidos pelo Metrópoles e processados com o uso de uma linguagem de programação voltada à análise de dados.

No caso do presidente da Conafer, a aquisição dos bovinos ocorreu em 2020. Ele comprou 998 cabeças, em 12 lotes, entre os meses de junho e agosto daquele ano. Gastou R$ 1,5 milhão com os animais – a maioria bezerros com até 12 meses de idade.


Em duas das compras de Carlos Roberto Ferreira Lopes, as notas fiscais mencionam a raça Nelore, um tipo de boi zebuíno de pelagem branca. Originário da Índia, o Nelore forma a base do rebanho de corte do Brasil. As aquisições do presidente da Conafer foram feitas com quatro produtores, sendo o principal deles do estado de Minas Gerais.

Já Alexsandro Prado Santos, o “Lequinho”, comprou 245 cabeças, pelo valor de R$ 1,37 milhão. As compras ocorreram entre novembro de 2023 e janeiro deste ano, com três vendedores diferentes.

Lequinho teve o sigilo quebrado pela CPMI do INSS por ser considerado o verdadeiro controlador de duas das entidades que estavam desviando recursos dos aposentados: a Associação Universo e a APDAP Prev. Ambas são consideradas entidades de fachada, sem funcionamento real.

A coluna procurou Carlos Roberto Ferreira Lopes na tarde desta quinta-feira (16) por mensagem de texto, mas ainda não houve resposta. A reportagem não conseguiu contato com o empresário Alexsandro Prado Santos. O espaço segue aberto.

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