“Lula não tem moral para dar lição sobre combate ao crime”, diz Ruas

Presidente da Alerj reagiu à declaração de Lula de que, se a Assembleia tivesse escolhido o próximo governador do RJ, seria miliciano

atualizado

metropoles.com

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Thiago Lontra/Alerj
O deputado estadual Douglas Ruas (PL)
1 de 1 O deputado estadual Douglas Ruas (PL) - Foto: Thiago Lontra/Alerj

O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas (PL), reagiu à declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que, caso a Casa indicasse o próximo governador estadual, o escolhido teria ligação com milícias.

Em posicionamento enviado ao Metrópoles neste sábado (23/5), Ruas afirmou que o titular do Planalto “não tem moral para dar lição” ao estado no combate ao crime organizado.

“Lula veio ao Rio, e mais uma vez desrespeitou nosso povo, fazendo ataques generalizados. Lula e o seu amigo Eduardo Paes não têm moral para dar lição ao Rio de Janeiro sobre o combate ao crime organizado”, disse o chefe da Alerj.

E continuou: “Lula já disse que o traficante é vítima do usuário de drogas e sempre tratou bandido como vítima da sociedade. Durante anos de governos do PT, o Brasil assistiu ao crescimento das facções criminosas e das milícias. Hoje, os estados mais violentos do Brasil são governados pelo PT, como é o caso da Bahia e do Ceará”.

Ruas citou novamente o ex-prefeito do Rio e pré-candidato ao governo do estado, Eduardo Paes (PSD), ao dizer que, durante sua gestão, as milícias avançaram na capital do estado. O presidente da Alerj é adversário de Paes na disputa pelo governo estadual deste ano.

“É curioso ver ataques do Lula à Alerj mencionando milícias, quando a única deputada estadual alvo de operação por suspeita de ligação com milícia pertence ao partido do Eduardo Paes — o candidato do Lula aqui no Rio de Janeiro”, pontuou.

Segundo ele, a população carioca não quer o que ele classificou como “velha política”.

“O povo do Rio não quer essa velha política. O povo do Rio quer ordem, polícia forte, enfrentamento ao crime com coragem e respeito às instituições democráticas”, finalizou Ruas.

Entenda

Mais cedo, ao lado do governador interino do estado, Ricardo Couto, durante uma agenda na capital carioca, o presidente Lula pediu para que o novo ocupante do Palácio Guanabara tome providências contra a influência de milicianos no estado.

“Se a Assembleia [Alerj] tivesse que indicar [um governador], ia vir um miliciano. Então deixe eu lhe falar uma coisa: aproveite. Essas coisas acontecem porque tem Deus. Aproveite esses 10 meses que você tem e faça o que muita gente não fez em 10 anos: ajude a consertar esse estado. Não é possível que esse estado poderoso, bonito, seja governado por milicianos. O povo do Rio não merece isso”, disse Lula.

O titular do Planalto também solicitou a Couto que “prenda todos que governaram esse estado e os deputados que fazem parte de uma milícia organizada”. Ricardo Couto era presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) e assumiu a chefia do governo estadual após a renúncia do então governador, Cláudio Castro (PL).

O grupo político de Castro se articulou para realizar uma eleição indireta, que seria definida pelos deputados estaduais, mas a manobra foi impedida por decisões judiciais.

“Não é possível que o estado brasileiro e a cidade mais conhecidos no mundo continuem como locais onde as facções tomaram conta do território. Vamos juntos devolver o território das comunidades ao povo do Rio de Janeiro: é isso que o povo espera de vossa excelência”, continuou Lula.

Alerj se posiciona

Mais cedo, em nota, a Assembleia disse que “respeita as instituições da República e espera o mesmo respeito por parte de todas as autoridades do país, inclusive do Presidente da República”.

“É inaceitável qualquer tentativa de generalizar ou criminalizar o Parlamento fluminense e seus representantes eleitos pelo povo do Rio de Janeiro. A Alerj é uma instituição democrática, legítima e merece respeito”, apontou o comunicado.

A nota ressaltou ainda que “o momento exige união institucional, equilíbrio e responsabilidade — e não declarações que estimulem divisão política ou pré-julguem instituições”.

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