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Brasil

“Se Alerj tivesse de indicar alguém, viria miliciano”, afirma Lula, em discurso no Rio

Durante discurso em agenda oficial no Rio de Janeiro, Lula pediu que o governador interino livre o estado da influência de milicianos

23/05/2026 15:32, atualizado 24/05/2026 09:22
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Reproduçaõ/Youtube/Lula
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou, neste sábado (23/5), da inauguração das novas instalações do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS) da Fiocruz, no Rio de Janeiro. Ao lado do governador interino Ricardo Couto, Lula afirmou que, se a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) tivesse indicado o próximo ocupante do Executivo local, o escolhido seria ligado à milícia.

Durante o discurso, o petista pediu que Couto tome providências contra a influência de milicianos no estado. “Se a Assembleia (Alerj) tivesse que indicar (um governador), ia vir um miliciano. Então, deixe eu lhe falar uma coisa: aproveite. Essas coisas acontecem porque tem Deus. Aproveite esses 10 meses que você tem e faça o que muita gente não fez em 10 anos: ajude a consertar este estado. Não é possível que este estado poderoso, bonito, seja governado por milicianos. O povo do Rio não merece isso”, disse Lula.

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Durante discurso na Fiocruz, Lula pediu que Couto “prenda todos os que governaram este estado e os deputados que fazem parte de uma milícia organizada”. Ricardo Couto era presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e assumiu a cadeira no Executivo após a renúncia do governador Cláudio Castro.

O grupo político de Cláudio Castro se articulou para realizar uma eleição indireta, que seria definida pelos deputados estaduais, mas a manobra foi impedida por decisões judiciais.

“Não é possível que o estado brasileiro e a cidade mais conhecidos no mundo continuem como locais onde as facções tomaram conta do território. Vamos juntos devolver o território das comunidades ao povo do Rio de Janeiro: é isso que o povo espera de vossa excelência”, disse Lula.

Elogios

Lula elogiou a atuação de Couto à frente do Executivo carioca, destacando que o magistrado tem todas as ferramentas para fazer um ótimo governo até as eleições gerais em outubro.

“Tivemos um juiz que foi governador e foi um fiasco. Então, você precisa honrar o Judiciário e mostrar que é possível consertar o Rio de Janeiro. O Rio de Janeiro precisa recuperar o prestígio de uma cidade que já foi capital da República”, salientou Lula.

Além de Couto, estavam no evento o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e o presidente da Fiocruz, Mário Moreira, entre outras autoridades. Ao ser chamado para discursar, Ricardo Couto foi ovacionado pelos populares presentes no local.

Alerj pede respeito

Em nota, a Alerj diz que “respeita as instituições da República e espera o mesmo respeito por parte de todas as autoridades do país, inclusive do presidente da República”.

“É inaceitável qualquer tentativa de generalizar ou criminalizar o Parlamento fluminense e seus representantes eleitos pelo povo do Rio de Janeiro. A Alerj é uma instituição democrática, legítima e merece respeito”, aponta.

O texto afirma ainda que o Rio de Janeiro enfrenta desafios históricos na segurança pública e põe parte da culpa no governo federal. “Muitos deles (estão) relacionados inclusive à ausência de políticas nacionais eficazes de combate ao tráfico de armas, às fronteiras abertas ao crime organizado e à expansão das facções criminosas em todo o país”, pontua.

A nota ressalta que “o momento exige união institucional, equilíbrio e responsabilidade — e não declarações que estimulem divisão política ou pré-julguem instituições”.