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Brasil

Governo Lula avança para finalizar plano de segurança pública após 23 anos

Aprovada pela Câmara, projeto é uma das principais apostas de Lula para criar ministério. Em 2002, presidente propôs criação de agência

04/11/2026 04:30
Hugo Barreto/Metrópoles @hugobarretophoto
Presidente da Repúplica Luiz Inácio Lula da Silva fala ao microfone durante evento de governo - Metrópoles

Pauta sensível para a esquerda e que teve destaque durante as eleições 2026, a segurança pública é prioridade para o governo federal ainda dentro do atual mandato. Na noite de terça-feira (3/2), o Senado aprovou, em dois turnos, o Projeto de Emenda à Constituição (PEC) 18/2025, a chamada PEC da Segurança. Tratou-se de uma vitória para o atual governo.

Além disso, a Casa decidiu adiar a análise da redução da maioridade penal, que será debatido em projeto específico no próprio Senado (há outra proposta em tramitação na Câmara dos Deputados).

Mas não é de agora que a segurança faz parte das preocupações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O combate à violência também fez parte da primeira campanha vitoriosa dele que, em 2002, propôs a criação de uma Agência Nacional de Segurança.

À época, o plano seria um colegiado de ministros ligado diretamente ao presidente e que coordenaria de forma unificada as ações e políticas do setor. No entanto, ele não conseguiu implementar a ideia na prática.

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Na proposta atual, é prevista a inclusão do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição e a criação do Sistema de Políticas Penais.

O texto votado nesta terça-feira também amplia a integração entre as forças de segurança e endurece as penas para integrantes de facções criminosas. O tema é considerado prioritário para o governo petista, que, após a aprovação, irá criar o Ministério da Segurança Pública.

Recursos

Em 2002, constavam a criação de conselhos de segurança e de proteção a testemunhas, a integração progressiva das polícias, a adoção de corregedorias únicas e a formação conjunta dos agentes de segurança.

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Também estavam previstas iniciativas como uma Escola Superior de Segurança e Proteção Social, investimentos em policiamento comunitário, criação de um piso nacional para as polícias, além da informatização e a interligação das delegacias de polícia, criação de bancos de dados nacionais informatizados, renovação e reaparelhamento das polícias técnicas.

O primeiro plano, porém, não indicava de onde viria a verba para bancar a agência.

Desta vez, a PEC da Segurança Pública estabelece repasses obrigatórios de 50% dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) da União para estados e municípios.

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Presidente quer criar Ministério da Segurança Pública após aprovação da PEC
Presidente Lula propôs criação de agência de segurança em campanha de 2002
Ministro das Relaçãos Institucionais José Guimarães afirma que governo quer votar questão da maioridade penal separada da PEC da Segurança
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Ministro das Relaçãos Institucionais José Guimarães afirma que governo quer votar questão da maioridade penal separada da PEC da Segurança

Pedro Reis - SRI/PR
Presidente quer criar Ministério da Segurança Pública após aprovação da PEC
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Presidente quer criar Ministério da Segurança Pública após aprovação da PEC

Reprodução
Presidente Lula propôs criação de agência de segurança em campanha de 2002
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Presidente Lula propôs criação de agência de segurança em campanha de 2002

Rafaela Felicciano/Metrópoles

Projeto atualizado

O texto atual também permite que União, estados e Distrito Federal aprovem leis sobre o setor, incluindo a criação de forças-tarefa entre diferentes governos, a organização das polícias e das guardas municipais e o funcionamento do sistema socioeducativo.

Um dos eixos centrais do texto é a inserção de um inciso no artigo 5º da Constituição, para criar um regime penal mais rigoroso e proporcional à posição hierárquica de líderes e integrantes de facções, organizações paramilitares e milícias. Isso inclui:

  • Prisão obrigatória em presídio de segurança máxima;
  • Restrição à progressão de regime e a benefícios processuais;
  • Possibilidade de confisco de bens ligados à atividade criminosa, sem indenização;
  • Responsabilização de pessoas jurídicas envolvidas;
  • Proteção a denunciantes e seus parentes.

Maioridade penal

A proposta seria analisada pelos senadores antes do segundo turno das eleições, mas um impasse sobre emendas que preveem a redução da maioridade penal fez com que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), a adiar a votação.

A  líder do Governo no Senado, a senadora Teresa Leitão (PT-PE), afirmou que os governistas não queriam votar a maioridade penal com a PEC da Segurança. E acabaram conseguindo adiar a análise.

O trecho foi retirado da PEC da Segurança e vai tramitar separadamente. É provável que ainda esta semana o tema volte à pauta no próprio Senado.