Goiás tem registro de 200 mortes em 24h; é o 2º maior da pandemia
Saúde alega que problemas no sistema e represamento de dados teriam provocado tal índice; dois outros registros altos também foram este mês
atualizado
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Goiânia – Goiás registrou nesta quinta-feira (25/3) o registro oficial da segunda maior quantidade de mortes por Covid-19 em 24 horas, desde o início da pandemia. Ao todo, foram 200 óbitos contabilizados no estado.
A Secretaria de Estado da Saúde (SESGO) atribui o alto número a um problema de instabilidade no sistema oficial do Ministério da Saúde que dificultou a inserção de casos nos dias anteriores.
Na tarde dessa quarta-feira (24/3), o balanço da pandemia, até então, divulgado pela SESGO, informava um total de 10.648 vidas ceifadas pela doença, em Goiás. No mesmo horário, um dia depois, o painel eletrônico da secretaria já informava 10.848.
O alto número mantêm a tendência de aumento dos casos neste que já é o mês mais mortal da pandemia, em Goiás, antes mesmo de ter chegado ao término. As três maiores marcas diárias foram registradas durante o mês de março.
Além das 200 mortes desta quinta, o primeiro maior registro oficial ocorreu no dia 10 de março, com 267 mortes, e a terceira foi no dia 3 de março, com 169 casos registrados.
Em nota, a SESGO explica que houve um represamento de dados, ocasionado pela instabilidade do Sivep-Gripe, sistema oficial para registro de casos de óbitos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).
“A possível causa foi a dificuldade de salvar e atualizar as fichas de notificações”, diz o texto da nota. Algo semelhante ocorreu do dia 9 para o dia 10 de março, quando houve o recorde de notificações, conforme a pasta.
Impacto nos cemitérios
De toda forma, o impacto do aumento de mortes já é perceptível em várias frentes. Nos cemitérios públicos de Goiânia, a prefeitura deu início ao uso de escavadeiras para abrir covas e auxiliar no trabalho que vinha sendo feito de forma braçal pelos coveiros.
A reportagem do Metrópoles esteve nesta quinta-feira no Cemitério Municipal Vale da Paz, onde havia uma fila de carros de funerária chegando com caixões. A maioria era de pessoas acometidas pela Covid-19.
É a primeira vez que a prefeitura da capital goiana decide adotar maquinário na abertura de covas, desde o início da pandemia. A demanda aumentou nas últimas semanas, reflexo imediato da alta dos números informados nos boletins epidemiológicos.
Veja:
Emissão de certidões de óbitos
Outra frente que precisou se adaptar para atender a demanda foi a dos cartórios que emitem certidões de óbito. Diante da alta procura, a Justiça goiana anulou regra de rodízio entre cartórios que valia desde 2014.
Por um período de 180 dias, as pessoas que precisarem solicitar o documento poderão recorrer a qualquer cartório cível de Goiânia, sem precisar se preocupar com a escala de rodízio.
A ideia é, além de reduzir aglomerações em pontos específicos, facilitar o andamento do processo em momento tão complicado para centenas de famílias.
Nesta sexta-feira (26/3), faz um ano da primeira morte por Covid-19, em Goiás. O primeiro caso foi de uma idosa de Luziânia, de 66 anos de idade. Um ano depois, o estado vive o pico da pandemia.
Ocupação das UTIs
A ocupação das unidades de terapia intensiva (UTIs) segue no limite. Em Goiânia, na rede que é regulada pela Prefeitura, 99% dos 290 leitos para atender pacientes com Covid-19 estavam ocupados na manhã desta quinta-feira. Nas enfermarias, a ocupação era de 97%.
O mesmo se apresenta na rede regulada pelo Complexo Regulador da SESGO, na rede estadual. Em alguns momentos do dia, a ocupação das UTIs chegou a ultrapassar os 98%. Nesta noite, o índice é de 96,12%. Nas enfermarias a ocupação é de 84,77%.
A fila de espera por leitos de UTI na rede estadual bateu o recorde nesta semana. Chegou a ser de 384 pessoas na terça-feira (23/3). Nesta quinta-feira, conforme o balanço divulgado pela SESGO, a fila segue de 332 pessoas esperando por UTIs e 275 por enfermarias.





















