1 de 1 Imagem colorida mostra vítimas do Césio-137 - Metrópoles
- Foto: Otavio Augusto/Arte Metrópoles
Após sete anos sem reajuste, a Assembleia Legislativa de Goiás aprovou, nessa quinta-feira (26/3), o aumento das pensões pagas às vítimas do acidente com Césio-137, ocorrido em Goiânia. O projeto, no entanto, ainda depende da sanção do governador Ronaldo Caiado (PSD) para entrar em vigor.
A proposta, que tramitou sob o nº 4577/26, foi enviada pelo Executivo estadual no dia 17 de março. As vítimas do maior acidente radiológico do mundo fora de uma usina nuclear estavam sem reajuste nas pensões desde 2018.
Memórias radioativas
A história completa do acidente com Césio-137 é contada na série de reportagens especiais do Metrópoles “Memórias radioativas”. Confira:
Com a mudança, as pensões passam de R$ 954 para R$ 1.621 – faixa em que está a maioria dos beneficiários.
Já os radioacidentados com contato direto com o material ou expostos a mais de 100 RAD terão o valor elevado de R$ 1.908 para R$ 3.242, conforme previsto no Anexo I da Lei nº 14.226/2002.
Segundo o governo estadual, 603 pessoas recebem atualmente a pensão vitalícia. O reajuste contempla, entre outros, profissionais que atuaram na descontaminação da área afetada, na vigilância do depósito provisório em Abadia de Goiás e no atendimento de saúde às vítimas do acidente.
Acidente com Césio-137
O acidente com o Césio-137, em Goiânia, é considerado o maior desastre radiológico já ocorrido no Brasil. O episódio começou em setembro de 1987, quando dois catadores de material reciclável encontraram um aparelho de radioterapia abandonado nas ruínas de uma clínica desativada. Ao desmontar o equipamento, eles tiveram acesso a uma cápsula que continha Césio-137, substância altamente radioativa.
Sem conhecimento do risco, o material foi levado a um ferro-velho, onde o então proprietário, Devair Alves Ferreira, abriu a cápsula. Encantado com o brilho azul emitido pela substância, ele compartilhou fragmentos com familiares, amigos e vizinhos, o que contribuiu para a disseminação da contaminação.
Imagem aérea do terreno onde funcionava o ferro-velho de Devair Alves Ferreira, que se tornou palco do acidente radiológico com Césio-137, em Goiânia, em 1987. Hoje, o local está abandonado
Hugo Barreto/Metrópoles @hugobarretophoto
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Terreno onde funcionava o ferro-velho de Devair Alves Ferreira, que se tornou palco do acidente radiológico com Césio-137, em Goiânia, em 1987. Hoje, o local está abandonado
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Geraldo Guilherme da Silva Pontes, hoje com 72 anos
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Donizeth Rodrigues de Oliveira, hoje com 61 anos
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Donizeth Rodrigues mostra receita médica preenchida frente e verso, com dez medicamentos prescritos após o acidente radiológico com Césio-137, em Goiânia, em 1987
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Luiza Odete mostra cicatrizes deixadas pelo contato com Césio-137
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Luiza Odete era tia de Leide das Neves
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Luiza Odete mostra cicatrizes deixadas pelo contato com Césio-137
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Geraldo Guilherme da Silva Pontes apresenta cicatrizes provocadas pela exposição ao Césio-137
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Cicatrizes nas mãos de Geraldo foram resultado do contato direto com o Césio-137
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Geraldo ajudou a levar a cápsula do material radioativo à Vigilância Sanitária
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Lourdes das Neves Ferreira
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Lourdes das Neves Ferreira, hoje com 74 anos
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Lourdes das Neves com a foto da filha, Leide das Neves Ferreira. A criança foi contaminada após brincar com o material radioativo retirado de um aparelho de radioterapia
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Lourdes das Neves abraça os porta-retratos da filha, Leide das Neves Ferreira, que se tornou símbolo do acidente radiológico com Césio-137, em Goiânia, em 1987
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Lourdes das Neves no terreno onde funcionava o ferro-velho de Devair Alves Ferreira, palco do acidente radiológico com Césio-137, em Goiânia
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Cápsula de onde saiu o Césio-137 que causou desastre em Goiânia
Reprodução/Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)
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Assim como mostrado na série, recipiente com Césio-137 ficou dias em uma cadeira na Vigilância Sanitária
Reprodução/Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)
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Demolição do Ferro Velho onde cápsula de Césio-137 foi aberta pela 1ª vez
Reprodução/Agência Internacional de Energia Atómica
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Demolição de casas contaminadas pelo Césio-137
Reprodução/Agência Internacional de Energia Atómica
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Área onde permanecem armazenados os rejeitos do acidente radiológico com Césio-137, em Abadia de Goiás
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Área onde permanecem armazenados os rejeitos do acidente radiológico com Césio-137, em Abadia de Goiás
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Terreno onde funcionava a clínica de radioterapia de onde foi retirada a cápsula de Césio-137 que deu origem ao acidente radiológico em Goiânia, em 1987. Anos depois, o espaço foi reocupado e hoje abriga o Centro de Cultura e Convenções de Goiânia
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Área onde permanecem armazenados os rejeitos do acidente radiológico com Césio-137, no Parque Estadual Telma Ortegal, em Abadia de Goiás, dentro do Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro-Oeste
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Túmulos de vítimas do acidente radiológico com Césio-137, que marcou Goiânia em 1987
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Túmulos das quatro vítimas do acidente radiológico com Césio-137 permanecem próximos entre si, em área separada das demais sepulturas do cemitério
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A descoberta do acidente levou à mobilização de autoridades e equipes especializadas, com isolamento de áreas, demolição de imóveis e descontaminação em larga escala. O caso evidenciou falhas na fiscalização de materiais radioativos no país e deixou marcas profundas na população de Goiânia, além de gerar impactos sociais, econômicos e de saúde que persistem até hoje.