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Economia

Após reunião no STF, Haddad diz esperar "desfecho rápido" sobre ICMS

Haddad se reuniu nesta terça com André Mendonça para tratar de julgamento sobre regra do ICMS que pode render R$ 90 bilhões ao governo

Flávia Said02/05/2023 12:43, atualizado 02/05/2023 14:20
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Edilson Rodrigues/Agência Senado
imagem colorida ministro fernando haddad

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta terça-feira (2/5), após reunião com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que aguarda um “desfecho rápido” no julgamento do STF sobre regra do Imposto sobre Circulação de Mercadorias ou Serviços (ICMS).

O governo estima obter R$ 90 bilhões com a decisão, receita considerada importante em um momento de ajuste nas contas públicas.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, por unanimidade, a favor da possibilidade de a União cobrar o Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) sobre determinados incentivos fiscais concedidos por governos estaduais a empresas.

Nesta terça, Haddad classificou o julgamento do STJ como “vitória”.

Ocorre, no entanto, que Mendonça concedeu uma liminar para suspender o julgamento. A liminar do magistrado que suspendeu os efeitos do julgamento será analisada pelo STF na semana entre os dias 5 e 12 maio, no plenário virtual. Se a determinação do ministro não for acolhida pelos demais magistrados da Corte, ficará valendo a decisão do STJ.

Reunião no STF

Haddad, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, foram ao STF nesta manhã para tratar do assunto com o ministro André Mendonça.

Na semana passada, no Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu o julgamento do tópico, devido a uma liminar de Mendonça.

Para Mendonça, como o STF vai julgar um processo relacionado ao tema, caso o STJ continue o julgamento, o assunto pode ser encerrado na Justiça antes mesmo de o STF analisar a questão.

Segundo Haddad, a intenção da reunião foi “explicar justamente a diferença entre a decisão tomada sobre o PIS/Cofins e a decisão sobre o imposto de renda e a contribuição social”.

“É completamente diferente. No primeiro caso, o Supremo decidiu sobre um imposto federal incidente sobre um imposto estadual pago pelo contribuinte. E agora se trata de um imposto federal sobre um imposto estadual não pago. Então, é totalmente diferente essa situação. E eu creio que nós fomos felizes na explicação e, obviamente, isso deve ter um desfecho imagino que rápido no Supremo Tribunal Federal”, disse Haddad a jornalistas ao voltar à sede do Ministério da Fazenda, no início da tarde.

Entenda o caso

A ação que corria no STJ tratava da possibilidade de empresas abaterem da base de cálculo de impostos federais (IRPJ e CSLL) incentivos fiscais concedidos pelos estados por meio do ICMS.

Esse abatimento reduz a base de incidência dos tributos federais. Como consequência, a União arrecada menos.

Se prevalecer a decisão do STJ, só será possível abater da base de cálculo subvenções estaduais ligadas a investimentos, desde que cumpridos todos os requisitos legais. Subvenções ligadas ao custeio da atividade empresarial não poderão ser abatidas.

Ao comentar o caso, logo após a decisão do STJ, o ministro Haddad havia dito que o entendimento do tribunal “pacifica a questão” e corrige um “estrago” nas contas públicas.

Em sessão no Senado, na última quinta-feira (27/4), Haddad classificou o sistema tributário brasileiro como um “descalabro”. “É uma colcha de retalhos absolutamente ingovernável, uma litigiosidade sem fim, sobretudo no plano estadual, em que o ICMS se tornou um ponto de atenção gravíssimo, mas também no plano federal”, disse o ministro.

“Temos de abrir essa caixa-preta e discutir com a sociedade para onde está indo o recurso público. Há que se falar em corte de gastos, sim, sobretudo o gasto tributário”, concluiu.

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