Durigan volta dos EUA sem definição de investigação sobre Pix
Ministro da Fazenda passou a última semana nos EUA, para as reuniões do FMI, no entanto, afirmou que não discutiu sobre investigação dos EUA
atualizado
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Após reuniões em Washington, nos Estados Unidos, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, deve retornar ao Brasil sem avanços nas tratativas sobre a investigação do governo Donald Trump envolvendo o Pix. A apuração foi aberta com base na Seção 301 da lei comercial norte-americana, instrumento que pode embasar a adoção de medidas tarifárias contra o Brasil.
Durigan cumpriu uma extensa agenda de encontros bilaterais com autoridades internacionais durante as reuniões de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI), na semana passada. O principal foi com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent. Segundo o ministro, os dois se reuniram duas ou três vezes.
De acordo com Durigan, as conversas trataram de temas como inteligência artificial, stablecoins (moedas digitais lastreadas em ativos reais) e crime organizado. Apesar disso, não houve discussão sobre a investigação aberta pelos EUA contra o sistema de pagamentos brasileiro.
O ministro afirmou que o processo não pode servir de justificativa para eventual imposição de tarifas contra o Brasil.
“A expectativa é que todos os pontos levantados [pela investigação] sejam respondidos e devidamente considerados pelos norte-americanos”, disse.
Apesar da série de encontros, também não houve menção à taxação de produtos brasileiros nas conversas com autoridades americanas.
Desde a imposição de tarifas iniciais de 10%, em meados de 2025, o governo brasileiro tenta retomar o diálogo com os Estados Unidos. À época, o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chegou a agendar uma reunião virtual com o secretário do Tesouro americano, que acabou sendo cancelada sem explicações e nunca remarcada.
Durigan também afirmou que não houve discussões sobre a possibilidade de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Segundo ele, embora grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) sejam perigosos e ligados ao crime organizado, não se enquadram nessa definição e devem ser combatidos com o rigor da lei.
O ministro destacou ainda a cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado, especialmente no controle de armas, já que parte relevante do armamento que chega ao Brasil tem origem no país norte-americano.
Após seus compromissos nos Estados Unidos, Durigan seguiu para Barcelona, na Espanha, para integrar a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que visitava o país. A comitiva seguiu para Alemanha no último domingo (19/4) e deve retornar ao Brasil na próxima quarta-feira (22/4). Ao todo, a viagem do ministro deve durar 9 dias.
Guerra no Irã
Um dos temas centrais das reuniões de primavera foi o conflito no Oriente Médio, que atingiu todos os países com a crise mundial de combustível. O ministro afirmou que a percepção dos líderes mundiais é de incerteza em relação à guerra entre Irã e Israel, que também envolve os EUA.
Apesar disso, o Durigan destacou que a postura do Brasil frente a crise no setor de energia foi elogiada e serviu de exemplo para alguns líderes mundiais.
“Então a gente liderou a conversa sobre como fazer uma resposta temporária, focada, ilimitada sobre sobre a guerra, sobre os efeitos da guerra no país. Claro que o Brasil tem um tem de alguma maneira comparado com países africanos, comparado com alguns países da Ásia, o Brasil tem uma boa posição. Então, de fato, a gente tem acaba tendo um pouco mais de instrumento para lidar com a guerra do que outros países”, avaliou.
Durigan participou das reuniões de primavera do FMI
- As reuniões de primavera do FMI são encontros anuais que reúnem autoridades econômicas globais em Washington;
- Participam ministros da Fazenda, presidentes de bancos centrais, representantes do setor privado, acadêmicos e membros da sociedade civil;
- O objetivo é discutir o cenário econômico, riscos financeiros, crescimento, inflação e desafios como dívida pública e desigualdade;
- Também servem para debater e coordenar políticas econômicas entre países, além de apresentar relatórios e projeções do FMI e do Banco Mundial;
- Paralelamente, ocorrem reuniões bilaterais e eventos paralelos, onde governos negociam acordos, alinham agendas e tratam de temas específicos.
Fundo de Florestas Tropicais
Um dos temas principais dos encontros do ministro foi o Tropical Forest Forever Facility (TFFF), ou Fundo Florestas Tropicais para Sempre, em português.
Essa é uma iniciativa proposta pelo governo brasileiro com o objetivo de remunerar países que preservam suas florestas tropicais. A intenção é pagar por hectare em pé, e não por crédito de carbono, visando tornar a conservação economicamente vantajosa.
No entanto, apesar do entusiasmo mostrado por alguns países, desde a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP) 30, os investimentos tem patinado e estão abaixo das expectativas da equipe econômica.
Durigan se reuniu com líderes mundiais de países em desenvolvimento ou que tenham florestas tropicais em seu território com o objetivo de intensificar o diálogo sobre investimentos no fundo.
Outro tema discutido entre o ministro e seus pares estrangeiros foram os minerais críticos. Fontes do ministério da Fazenda afirmaram que a França possui uma proposta sobre o tema, no entanto, o governo ainda não teve o tempo necessário para decidir. O encontro de Durigan com o ministro francês teve como objetivo destravar essa agenda.
Para além das negociações políticas, os encontros foram importantes por ser a primeira viagem de Durigan a frente da equipe econômica e muitas lideranças estavam, segundo fontes, ansiosas pelo primeiro contato com o novo ministro.
