Durigan revela maior desafio do governo e pede Estado sem burocracia
Ministro da Fazenda admite dificuldade de traduzir agenda econômica para a população e diz que governo ainda não “conquista corações”
atualizado
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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou, neste sábado (18/4), que o principal desafio do governo hoje é fazer com que a agenda econômica seja compreendida pela população. A declaração foi feita durante evento em Barcelona, na Espanha.
Segundo ele, há uma dificuldade evidente de comunicação entre as políticas públicas e o cotidiano das pessoas. O ministro afirmou que o governo não está conseguindo “conquistar corações”, ao comentar a percepção popular sobre medidas consideradas técnicas.
“Nós precisamos nos comunicar com a população, precisamos falar sobre crescimento, sobre igualdade, precisamos falar sobre comunidades tradicionais. Esse é o desafio mais importante da nossa agenda”, disse.
Durigan citou como exemplo a regulamentação do mercado de carbono, tema visto como estratégico pelo governo, mas ainda distante da realidade do cidadão comum. A lógica da política, de penalizar atividades mais poluentes, não tem sido facilmente assimilada fora das discussões técnicas.
“As pessoas estão cansadas de burocracia. Cansadas de serem levadas para um lado depois para o outro e as coisas não se resolvem. Por isso acho que nós temos que defender um Estado eficiente. Um Estado livre de burocracia”, disse.
A fala ocorre em meio à tentativa do governo de ampliar o alcance da agenda econômica, que inclui medidas de transição energética, ajuste fiscal e programas voltados à redução do endividamento das famílias. A avaliação é que, apesar de avanços técnicos, ainda há um descompasso entre o desenho das políticas e a forma como elas chegam à sociedade, especialmente em temas mais abstratos ou de impacto indireto no dia a dia.
Durigan integra a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Europa. A agenda ocorre em um momento em que o governo busca reforçar tanto a estratégia econômica quanto a comunicação, de olho na percepção pública das medidas, se voltando para o calendário eleitoral.








