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Deputado defende PM que prendeu professor com faixa contra Bolsonaro

Major Vitor Hugo considera que atitude do policial foi correta; questionado sobre decisão que afastou das ruas o tenente, ele desconversou

atualizado

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Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Fotografia colorida de deputado sorrindo para foto
1 de 1 Fotografia colorida de deputado sorrindo para foto - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Goiânia – O deputado federal Major Vitor Hugo (PSL-GO) disse nesta sexta-feira (4/6) que “não houve qualquer excesso” por parte do tenente da Polícia Militar de Goiás afastado das ruas por conduzir, até a Polícia Federal, na capital goiana, um professor que levava em seu carro uma faixa com os dizeres “Fora Bolsonaro genocida”. O episódio ocorreu em Trindade, na região metropolitana, e teve repercussão nacional.

O policial militar Marlon Jorge Albuquerque, conhecido como 1º tenente Albuquerque, foi retirado das ruas na terça-feira (1º/6), um dia depois de prender o professor e dirigente do PT em Goiás Arquidones Bites.

A PF liberou o professor por entender que ele não violou a Lei de Segurança Nacional, como alegou o oficial, que é investigado por suposto abuso de autoridade.

Em entrevista ao Metrópoles, Major Vitor Hugo, apoiador de Bolsonaro, disse que o tenente, de quem é amigo, “é um profissional pronto para continuar trabalhando pela proteção da sociedade brasileira e goiana, em particular”. “Conheço o Albuquerque há alguns anos. Ele tem mais de 28 anos de carreira policial. É um oficial experiente”, afirmou.

Conforme mostrou o portal, o nome do oficial aparece no site Goiás Transparente apenas desde 2010 e vinculado ao Comando da Academia da Polícia Militar. Ele também é instrutor de “uso seletivo da força”, em curso de capacitação da corporação destinado subtenentes e sargentos.

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Arquidones Bites preso e sendo conduzido pela PM até a sede da Polícia Federal
Arquidones Bites na delegacia, onde PMs queriam que ele fosse enquadrado pela Lei de Segurança Nacional
Familiares e amigos do professor, além de militantes do PT, foram para a sede da PF em Goiânia pedir a liberação do professor
O professor do ensino médio e dirigente do PT em Goiás Arquidones Bites foi preso em Trindade (GO)
O professor do ensino médio e dirigente do PT em Goiás Arquidones Bites foi preso em Trindade (GO)
Arquidones Bites, dirigente do PT, é detido em Goiás com base na Lei de Segurança Nacional
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Arquidones Bites, dirigente do PT, é detido em Goiás com base na Lei de Segurança Nacional

Reprodução
Arquidones Bites preso e sendo conduzido pela PM até a sede da Polícia Federal
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Arquidones Bites preso e sendo conduzido pela PM até a sede da Polícia Federal

Arquivo pessoal
Arquidones Bites na delegacia, onde PMs queriam que ele fosse enquadrado pela Lei de Segurança Nacional
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Arquidones Bites na delegacia, onde PMs queriam que ele fosse enquadrado pela Lei de Segurança Nacional

Arquivo pessoal
Familiares e amigos do professor, além de militantes do PT, foram para a sede da PF em Goiânia pedir a liberação do professor
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Familiares e amigos do professor, além de militantes do PT, foram para a sede da PF em Goiânia pedir a liberação do professor

Vinícius Schmidt/Metrópoles
O professor do ensino médio e dirigente do PT em Goiás Arquidones Bites foi preso em Trindade (GO)
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O professor do ensino médio e dirigente do PT em Goiás Arquidones Bites foi preso em Trindade (GO)

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O professor do ensino médio e dirigente do PT em Goiás Arquidones Bites foi preso em Trindade (GO)
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O professor do ensino médio e dirigente do PT em Goiás Arquidones Bites foi preso em Trindade (GO)

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Arquidones Bites com enteado Carlos Bites seguram bandeira que motivou prisão
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Arquidones Bites com enteado Carlos Bites seguram bandeira que motivou prisão

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Arquidones Bites na porta da PF
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Arquidones Bites na porta da PF

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O professor do ensino médio e dirigente do PT em Goiás Arquidones Bites foi preso nesta segunda em Trindade (GO)
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O professor do ensino médio e dirigente do PT em Goiás Arquidones Bites foi preso nesta segunda em Trindade (GO)

O professor sendo vacinado contra Covid-19
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O professor sendo vacinado contra Covid-19

Arquidones Bites/Arquivo pessoal
Arquidones durante manifestação contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no sábado (29/05)
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Arquidones durante manifestação contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no sábado (29/05)

Arquidones Bites/Arquivo pessoal
Foto de Arquidones na escola, na 4ª série
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Foto de Arquidones na escola, na 4ª série

Arquidones Bites/Arquivo pessoal
Segundo o professor, a mãe, dona Messias, é a grande inspiração, inclusive política
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Segundo o professor, a mãe, dona Messias, é a grande inspiração, inclusive política

Arquidones Bites/Arquivo pessoal
Arquidones com o ex-presidente Lula, quando foi candidato a prefeito de Trindade, em 1992
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Arquidones com o ex-presidente Lula, quando foi candidato a prefeito de Trindade, em 1992

Arquidones Bites/Arquivo pessoal
Professor Arquidones Bites, preso pela PM por faixa contra Bolsonaro, organiza panelaço contra presidente
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Professor Arquidones Bites, preso pela PM por faixa contra Bolsonaro, organiza panelaço contra presidente

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“Tudo corretamente”

De acordo com Major Vitor Hugo, o seu colega de corporação “fez tudo corretamente”. Segundo o parlamentar, a decisão da Polícia Federal pode ser contestada. “Eu mesmo discordo da decisão. Sobre a atitude do tenente, não há qualquer reparo a ser feito”, ressaltou.

Apesar de defender o amigo, o deputado não quis contestar a decisão do comandante-geral da PM, Renato Brum dos Santos, que determinou também a investigação por abuso de autoridade contra o tenente. Albuquerque continua trabalhando apenas nas atividades administrativas.

“Não vou julgar a atitude do comandante da PM. Acho que ele fez o que achou que deveria fazer, para compreender as ações como um todo. A partir das averiguações, na minha opinião, o caminho a seguir é retornar o PM para atividades normais”, disse o parlamentar. “É isso que esperamos”, destacou.

Ao ser questionado se todos os PMs deveriam ter passaporte para conduzir manifestantes contrários ao governo, Major Vitor Hugo desconversou. “Cada caso é um caso”, disse. Segundo ele, o professor foi conduzido porque “estava repetindo, por diversas vezes, de maneira exaltada, que Bolsonaro é genocida, no limite do desacato ao policial”.

Portanto, o parlamentar preferiu não se manifestar sobre a possível defesa dele à atitude policial em outros casos semelhantes. “Não posso falar sobre situações em tese. Neste caso, era um PM de frente para o cidadão, que estava chamando o presidente da República de genocida. Não posso falar da multidão falando. Cada caso é um caso”, afirmou.

“Bolsonaro genocida”

O educador Arquidones Bites levava em seu carro uma faixa com os dizeres: “Fora Bolsonaro genocida”. Ele foi parado por uma guarnição de quatro policiais militares na rua e solicitado a retirar a indumentária do veículo.

De acordo com o tenente responsável pela abordagem, identificado como Albuquerque, o professor estaria infringindo a Lei de Segurança Nacional no trecho que proibiria calúnias ao presidente da República.

Criada pela ditadura militar, e modificada em 2016, novas mudanças na lei estão em debate no Congresso e sob avaliação no Supremo Tribunal Federal (STF). Em maio, a Câmara aprovou projeto que a revoga, mas ainda falta o Senado decidir sobre o tema.

Abuso de autoridade

O Governo de Goiás confirmou, em nota, que o “policial militar foi afastado de suas funções operacionais. Ele responderá a inquérito policial e procedimento disciplinar para apuração de sua conduta”, disse texto assinado pela SSPGO. O prazo para conclusão da investigação é de 40 dias.

“O governo de Goiás, por meio da Secretaria de Segurança, informa que não coaduna com qualquer tipo de abuso de autoridade, venha de onde vier. Assim sendo, todas as condutas que extrapolem os limites da lei são apuradas com o máximo rigor, independentemente do agente ou da motivação de quem a pratica”, afirmou a nota.

A Polícia Federal informou, também por meio de nota, que, após ouvir todos os envolvidos, “entendeu-se não ter havido transgressão criminal de dispositivo tipificado na Lei de Segurança Nacional”.

Irmão do ex-secretário do Entorno do Distrito Federal e ex-vereador de Valparaíso de Goiás Arquicelso Bites, que morreu vítima da Covid-19 em 30 de março, Arquidones disse ter tomado um soco dos policiais que o pararam na rua, em Trindade (GO), na segunda-feira. Ele protestou em memória do irmão caçula.

Segundo caso em 4 dias

Esta foi segunda vez em quatro dias que a PM de Goiás se envolve em polêmica relacionada à abordagem. Na sexta-feira (28/5), repercutiu em todo o Brasil o momento em que uma dupla de policiais abordou um jovem negro em Cidade Ocidental.

https://youtu.be/9YOQL44q7Z8

O youtuber Filipe Ferreira filmava manobras em uma bicicleta para seu canal quando os PMs param a viatura, apontam as armas e o revistam. Ele disse que foi vítima de abuso de autoridade.

O titular da SSP, Rodney Miranda, disse ao Metrópoles que o caso será investigado.

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