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Como a Ômicron impactou casos, internações e óbitos por Covid em SP

Neste mês, capital registrou maior nível de ocupação de UTIs desde junho e bateu recorde de transmissibilidade e de novos casos em 24h

atualizado

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Fábio Vieira/Metrópoles
Hospital de Campanha
1 de 1 Hospital de Campanha - Foto: Fábio Vieira/Metrópoles

São Paulo – Em 30/11/2021, a cidade de São Paulo detectou os dois primeiros infectados com a variante Ômicron da Covid-19, o que marcou a chegada da nova cepa ao país. Menos de dois meses depois, o país registra recordes de casos durante toda a pandemia e volta a ter hospitais lotados, com fila de espera para leitos.

No fim do ano passado, a nova linhagem já vinha causando um recrudescimento na pandemia em países da Europa e da África, o que começou a ocorrer no Brasil com intensidade a partir de janeiro, impulsionado também pelas festas e aglomerações de fim de ano e férias.

Dados de São Paulo, tanto estado quanto capital, revelam o “estrago” feito pela Ômicron. No estado, houve o maior número de casos desde julho de 2021. Na capital, ocorreu o maior nível de internação desde junho do ano passado e recorde de novos casos em 24 horas.

Hoje, a taxa de transmissibilidade na capital é a maior desde o início da pandemia. A cidade de São Paulo tem a Ômicron como variante predominante desde, ao menos, 11/1, de acordo com análises genômicas de amostras feitas pelo Instituto Butantan.

Para o médico sanitarista e fundador da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Gonzalo Vecina, o “tsunami de casos” ocorre por conta da grande capacidade de disseminação do vírus.

Em relação às hospitalizações, ele afirma que se concentram em um grupo específico. “A maioria dos que estão ocupando os hospitais, além de não ser completamente vacinada, é portadora de comorbidades. E um portador de comorbidade que pode pegar a doença, sofre um desequilíbrio clínico e busca a internação”, diz.

Vecina avalia ainda que o Brasil e em especial São Paulo que teve os primeiros casos da variante Ômicron estão perto de chegar ao pico desta onda e, com isso, ver uma redução de casos, internações e óbitos.

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“A gente está observando na Europa, entre o começo e o fim desse pico de Ômicron, é algo entre seis e oito semanas. Estamos na quarta semana, faltam mais umas duas, três semanas de crescimento, e aí vem a queda no número de casos. É a história natural do que a gente tem visto na Europa, é uma questão de olhar a realidade”, afirma.

A mesma avaliação é feita pelo médico e coordenador do Comitê Científico que assessora o governo de São Paulo, Paulo Menezes. Ele afirma que o estado e a capital estão se aproximando do platô desta onda da nova variante.

A médica Mônica Levi, diretora da Sociedade Brasileira de Infectologia e coautora do livro “Vacinar, sim ou não?”, analisa que, por conta da volta às aulas, fevereiro ainda deve ter um grande aumento de casos. Isso porque, ela explica, as crianças são um grande vetor de transmissão e como a vacinação começou recentemente, elas ainda não estarão totalmente protegidas.

“Claro que cada país está numa situação de vacinação, de restrições ou não para não vacinados, medidas não farmacológicas, tudo pode acontecer, mas acho que ainda vai haver uma explosão de casos no ambiente escolar e, depois disso, quando tiver todos estes casos espalhados muito na população vacinal, e as crianças sendo vacinadas, aí deve ocorrer uma queda por volta de março, se não virmos o aparecimento de nenhuma outra variante de preocupação”, comenta.

Casos

A circulação do vírus explodiu em São Paulo. De 1/1 até a última quinta (27/1), a cidade registrou 117.510 diagnósticos positivos para Covid, o segundo mês com maior casos, ficando atrás apenas de março de 2021 – quando foram 186.778 pessoas positivadas com a doença.

O pior dia se deu em 10/1, com 10.570 novos casos: foi a data em que São Paulo mais registrou casos novos em um só dia em toda a pandemia.

Outra consequência do aumento de pessoas contaminadas foi a busca por testagem. Primeiro, a prefeitura anunciou a testagem de todos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), nas Assistências Médicas Ambulatorial (AMAs) e nos pronto-atendimentos.

Entretanto, a demanda só aumentava e a cidade passou a enfrentar – assim como o resto do país – uma escassez de testes, então começou a limitá-los para grupos prioritários e pacientes graves.

Internações

A cidade de São Paulo iniciou o ano com 443 leitos exclusivos para Covid-19, entre Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e enfermaria. Agora, já são 1.241 vagas em hospitais municipais. O motivo foi a alta demanda: a cidade chegou a ter 77% de ocupação nas UTIs em 23 de janeiro, maior nível desde junho do ano passado.

Na última sexta (28/1), o índice era de 68%, com 827 internados somente nas vagas de administração da Prefeitura.

Na rede privada do município, na mesma data, havia 1.759 pessoas internadas em UTIs e enfermarias, e 701 na rede hospitalar administrada pelo governo estadual.

Óbitos

Desde o início do ano, os casos explodiram, e os óbitos não cresceram na mesma velocidade do aumento de casos. Ainda assim, houve aumento: em todo o mês de novembro, por exemplo, houve 260 mortes na capital. Em dezembro, o total foi de 112 mortes.

Já em janeiro, que ainda não acabou, já foram contabilizadas 294 mortes no município. Assim como em toda a pandemia, a faixa etária com maior taxa de mortalidade é de 75 anos ou mais.

A comorbidade mais comum entre os pacientes que vão a óbitos por Covid-19 na capital são as doenças cardíacas, as cardiopatias, que representam 48,68% das mortes de pessoas com comorbidades. Em seguida, vem o diabetes, com 32.37%, e depois a obesidade, que representa 9,25% neste universo.

Gonzalo Vecina diz que, apesar do aumento de casos e internações, os óbitos não cresceram com tanta intensidade porque esta nova variante “não acomete o pulmão do jeito que as outras variantes acometiam, ela não dá insuficiência respiratória”, e que os óbitos são mais “fruto das comorbidades”.

Vacinação

A Prefeitura de São Paulo costuma chamar a cidade de “capital mundial da vacina”. Hoje, a cidade tem 104,53% de sua população adulta com o esquema vacinal básico completo (duas doses ou vacina da dose única).

O número ultrapassa os 100% porque há pessoas que podem se vacinar na cidade mesmo que não more nela, e outro possível motivo é que o município tenha mais pessoas aptas a serem vacinadas do que estima, porque o último censo demográfico é de 2010.

Já em relação a pessoas com a dose de reforço, o índice é de 48,67% da população com o esquema vacinal completo e a dose adicional. Somente maiores de 18 anos podem tomar a vacina de reforço.

Em relação aos menores, 93,42% dos adolescentes de 12 a 17 anos estão com as duas doses, e 28,43% das crianças de 5 a 11 anos já tomaram a primeira dose – a vacinação infantil começou no dia 17 de janeiro, após aprovação da Pfizer pediátrica pela Anvisa. Depois, foi aprovada também a Coronavac para este público.

Em relação ao estado, o índice de vacinação completa está menos avançado: são 80,46% da população com as duas doses ou dose única. São 2,3 milhões de pessoas com a segunda dose atrasada, sendo 613,3 mil de Coronavac, 580,2 mil de Astrazeneca e 1,1 milhão de Pfizer.

Mas, segundo o governo, são as Prefeituras as responsáveis pela busca ativa dos vacinados.

Restrições

Apesar do aumento dos casos e das hospitalizações, tanto estado quanto capital decidiram não adotar quase nenhuma restrição a serviços, comércio, eventos e circulação de pessoas. O único grande afetado foi o Carnaval, tanto os blocos de rua quanto os desfiles de escolas de samba.

O primeiro foi cancelado, enquanto os desfiles do Sambódromo do Anhembi foram adiados para 21 e 22 de abril, feriado de Tiradentes, em uma decisão conjunta tomada com a cidade do Rio de Janeiro.

No dia 12 de janeiro, o governador João Doria (PSDB) limitou o público nos estádios de futebol a 70% da capacidade, e recomendou aos prefeitos que fizessem o mesmo em eventos públicos.

Entretanto, a capital não adotou nenhuma restrição até o momento. E o próprio governador descartou, na última quinta (27/1), contenções a qualquer setor, como comércio, serviços e indústria no estado.

Para Paulo Menezes, coordenador do Comitê Científico do governo estadual, afirmou na última quarta (26/1) que a Ômicron tem a característica da “grande capacidade de transmissão e o número de casos sobe que nem um foguete, mas temos observado que começa uma redução felizmente rápida em países mais avançados”.

“O pico dessa variante dura muito menos do que tivemos nas outras fases da pandemia”, explica. Menezes diz que ele entende que nas próximas duas semanas os casos em São Paulo comecem a reduzir e, por isso, não acredita ser necessário criar restrições aos estabelecimentos comerciais por enquanto.

“Já existem indícios de que o aumento da contaminação está desacelerando. Neste momento, o comitê científico entende que não há necessidade de outras medidas”, afirmou. Ele destaca, entretanto, a importância de medidas a exigência de vacinação completa, o uso de máscaras e o adiamento do Carnaval de rua, onde não é possível fazer controle de público.

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