Combustíveis devem trazer alta da inflação mesmo com corte de impostos
Medida anunciada pelo governo na quinta-feira (12/3) não deve conter alta da inflação do mês de março, dizem especialistas
atualizado
Compartilhar notícia

O conjunto de medidas anunciadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na última quinta-feira (12/3) para conter os efeitos dos preços dos combustíveis pode ser insuficiente para conter a alta da inflação no mês de março, apontam especialistas.
O item “combustíveis” dentro do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve apresentar a maior alta no mês, puxando o índice, que atualmente está em 3,81%.
No entanto, além disso, a alta dos combustíveis impacta todos os setores brasileiros. O diesel é considerado um combustível estratégico para a economia brasileira porque abastece a maior parte do transporte de cargas do país.
Como cerca de 60% da logística nacional é feita por rodovias, aumentos no preço do diesel tendem a encarecer o frete. Esse custo adicional acaba sendo repassado ao preço de alimentos, produtos industrializados e mercadorias em geral, pressionando diversos itens do IPCA. Por isso, variações no diesel costumam ter um efeito amplo e rápido sobre a inflação.
Segundo o Banco Daycoval, o aumento dos preços administrados é o principal canal de pressão sobre o IPCA, em especial devido aos efeitos sobre os combustíveis, podendo levar inflação de 3,4% para 5% em 2026.
A meta de inflação é de 3%, com tolerância de 1,5% para cima ou para baixo, ou seja, em fevereiro a inflação ficou dentro da meta, mas o mercado financeiro está precificando que o indicador fique fora do intervalo até o final de 2026.
O preço dos combustíveis disparou após os recentes conflitos entre Estados Unidos, Israel e Irã, que envolvem o Estreito de Ormuz, região por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
Nas últimas semanas, o preço da comodity disparou e chegou a atingir mais de US$ 100 por barril, impactando os preços dos combustíveis no mundo. No Brasil, mesmo sem alteração nos preços pela Petrobrás, postos de gasolina aumentaram os valores nas bombas de combustível por conta própria, impactando diretamente no bolso do consumidor.
Entenda as recentes tensões no Oriente Médio
- Ações militares envolvendo os Estados Unidos e Israel contra alvos ligados ao Irã foram seguidas por ameaças de retaliação de Teerã, elevando o risco de confronto direto;
- O Estreito de Ormuz, principal rota de escoamento de petróleo do Golfo Pérsico, passou a operar sob maior tensão, com aumento do custo de fretes e seguros marítimos;
- A cotação internacional do petróleo subiu nos últimos dias, refletindo incertezas sobre oferta global e possíveis interrupções logísticas;
- A alta do petróleo pressiona expectativas de inflação, influencia mercados financeiros e pode afetar decisões de política monetária em economias importadoras de energia.
Conheça as medidas do governo para aliviar o preço do diesel
Diante da pressão recente sobre os preços do petróleo no mercado internacional, o governo federal anunciou um conjunto de medidas com o objetivo de conter o impacto da alta dos combustíveis, principalmente do diesel, que tem forte peso na inflação brasileira.
As iniciativas buscam evitar repasses imediatos aos consumidores e diminuir o efeito da volatilidade do mercado externo sobre os preços internos.
Veja os principais pontos:
Zerar PIS e Cofins sobre o diesel: a principal medida foi um decreto que zerou as alíquotas de PIS e Cofins, que são os dois tributos federais que incidem diretamente sobre o diesel. Com a retirada desses impostos, o governo estima uma redução de cerca de R$ 0,32 por litro no preço do combustível nas refinarias.
Subvenção a produtores e importadores de diesel: além do corte de impostos, uma medida provisória criou uma subvenção, ou seja, um subsídio financeiro, para produtores e importadores de diesel. O auxílio também corresponde a cerca de R$ 0,32 por litro, com o objetivo de incentivar que o desconto seja repassado ao longo da cadeia de distribuição até chegar ao consumidor.
Imposto sobre exportação de petróleo para compensar perdas fiscais: para equilibrar a perda de arrecadação provocada pela redução de tributos sobre o diesel, o governo instituiu uma taxa de 12% sobre a exportação de petróleo bruto. A medida busca compensar a renúncia fiscal decorrente da desoneração do combustível.
Reforço na fiscalização do mercado de combustíveis: outra iniciativa anunciada foi o aumento da integração entre a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e outros órgãos de fiscalização para monitorar o mercado e evitar práticas abusivas, como especulação ou retenção de combustíveis.
Pressão para redução de impostos estaduais: além das medidas federais, o presidente também pediu que governadores avaliem reduzir o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre combustíveis, tributo estadual que representa uma parcela significativa do preço final pago pelo consumidor.
Segundo o governo, o conjunto dessas iniciativas busca limitar o impacto da alta do petróleo internacional sobre os preços domésticos e evitar um efeito cascata sobre a inflação.













