Candidata à lista tríplice quer mais interlocução da PGR com Congresso

Luiza Frischeisen é a única mulher na disputa. Raquel Dodge, atual chefe do MPF, foi a primeira a chegar lá

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atualizado 08/06/2019 7:45

Entre nove homens, apenas uma candidata concorre à lista tríplice para tentar ocupar a Procuradoria-Geral da República neste ano. Se tiver sucesso na eleição e conseguir a indicação do presidente Jair Bolsonaro (PSL), Luiza Frischeisen pode ser a sucessora de Raquel Dodge, a primeira mulher a exercer a chefia máxima do Ministério Público Federal (MPF). Entre as ideias apresentadas durante a campanha pela postulante, está uma maior aproximação com o Congresso Nacional.

Quando Dodge entrou na lista tríplice, organizada pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), outras duas colegas também tentaram chegar ao posto. Para a candidata de 2019, no entanto, trata-se de mera coincidência o fato de ela disputar sozinha a indicação.

Luiza já está dentro da PGR, como subprocuradora-geral, e destaca o protagonismo feminino no MPF ao longo do tempo. São 27 anos de carreira. Elaconta que, na década de 1970, os concursos públicos foram uma porta de entrada para as mulheres no mercado de trabalho, e assim aconteceu na instituição.

“A doutora Ela [Wiecko], nossa decana, muitas vezes fez parte da lista. A Sandra [Veronica Cureau] e a Raquel Dodge também. Neste momento sou eu, mas várias colegas já participaram. Temos várias subprocuradoras mulheres”, pontuou.

Além de ideias para a reestruturação do MPF, entre as principais propostas da candidata estão o reforço no acompanhamento de projetos no Legislativo, o fortalecimento da atuação da instituição junto à Justiça Eleitoral e a promoção de diálogo com os Ministérios Públicos estaduais e com a sociedade civil.

O pacote anticrime — desmembrado em três projetos de lei que visam o combate ao crime organizado e à corrupção — do ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro, e as propostas do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes são exemplos de temas de interesse.

Entram no radar do MPF matérias ligadas a políticas públicas, direitos sociais, ao meio ambiente, a grupos vulneráveis e à cooperação internacional.

Atualmente, a instituição trabalha, por exemplo, publicando notas técnicas sobre os temas abordados pelos parlamentares. 

Neste ano, na nova legislatura, o Congresso está muito forte em termos de projetos de lei, e a gente tem de acompanhar de perto. Reforçar o acompanhamento por meio da Secretaria de Relações Institucionais e também com a interlocução da PGR com os presidentes das Casas

Luiza Frischeisen, subprocuradora-geral da República

Caminho mais difícil
Chegar lá talvez seja mais difícil do que foi para Dodge. Não por ser mulher, como ela mesma coloca, mas porque a indicação com base na lista tríplice pode ser deixada de lado. Bolsonaro já adiantou que há chance deescolher um nome que não esteja entre os eleitos por membros do Ministério Público Federal.

Há algum tempo, nos bastidores políticos, já havia informações de que Dodge tentaria pleitear sua permanência no cargo por fora da lista. Nesta sexta-feira (07/06/2019), a procuradora-geral da República afirmou estar “à disposição do presidente” para eventual recondução.

Existe, ainda, uma lista paralela organizada pela Associação dos Servidores do Ministério Público Federal (ASMPF). O documento terá cinco nomes indicados por servidores e será entregue ao chefe do Executivo federal.

“A gente entende que a lista tríplice é a forma de a gente dialogar com o presidente da República, com o Senado, com a sociedade civil. Existe uma expectativa de que o Jair Bolsonaro aprecie a lista, porque é o que vem acontecendo. As pessoas que estão concorrendo estão debatendo, estão interagindo com os colegas”, frisou.

A eleição para a lista tríplice será no dia 18 de junho, por meio eletrônico. Participam da escolha os membros do Ministério Público Federal em todo o país.

Outros candidatos
Mais nove candidatos disputam as três vagas na lista para tentar ocupar o cargo de procurador-geral da República:

  • Antônio Carlos Fonseca Silva (subprocurador-geral da República)
  • Blaul Dalloul (procurador regional da República)
  • José Bonifácio de Andrada (subprocurador-geral da República)
  • José Robalinho Cavalcanti (procurador regional da República)
  • Lauro Cardoso (procurador regional da República)
  • Mário Bonsaglia (subprocurador-geral da República)
  • Nívio de Freitas (subprocurador-geral da República)
  • Paulo Eduardo Bueno (subprocurador-geral da República)
  • Vladimir Aras (procurador regional da República)

Veja os currículos divulgados pela ANPR:

 

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