Após morte do cantor Gabriel Diniz, Anac suspende voos de aeroclube

Agência informou que há indícios de táxi aéreo irregular e abriu processo administrativo sobre o acidente

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atualizado 27/05/2019 21:10

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou, no início da noite desta segunda-feira (27/05/2019), que suspendeu cautelarmente as operações do Aeroclube de Alagoas, responsável pelo monomotor que caiu e causou a morte do cantor Gabriel Diniz. Além do artista, Linaldo Xavier e Abraão Farias, identificados como diretores do estabelecimento, perderam a vida no acidente. A aeronave caiu no povoado do Mato, em Estância (SE), na região sul do estado. 

Nove aviões que pertencem ao aeroclube foram interditados depois do acidente. Segundo a Anac, há indícios de que houve táxi aéreo irregular no caso. Para apurar o fato, foi aberto um processo administrativo.

A Anac afirmou, ainda, que pode encaminhar denúncia ao Ministério Público e à polícia para que sejam tomadas providências na área criminal. Os responsáveis também podem ser multados, além de terem licenças e certificados cassados.

“A aeronave, de matrícula PT-KLO, da fabricante Piper Aircraft e de propriedade do Aeroclube de Alagoas, estava registrada na categoria Instrução e não poderia prestar serviço fora da sua finalidade, incluindo o transporte remunerado de pessoas”, diz um trecho da nota divulgada.

No começo da tarde, a Anac divulgou que o avião estava em situação regular, com Certificado de Aeronavegabilidade (CA) válido até 2023 e Inspeção Anual de Manutenção (IAM) em dia até março de 2020.

Apesar de possuir permissão para voos de instrução de treinamento, o monomotor não tinha autorização para fazer operações comerciais.

As investigações sobre as causas do acidente estão sendo conduzidas pelo Segundo Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa II), de Pernambuco (PE), órgão regional do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), do Comando da Aeronáutica.

O Aeroclube de Alagoas informou, em nota, que está à disposição dos órgãos fiscalizadores para auxiliar no que for necessário, e lamentou o acidente.

Transporte aéreo clandestino
O diretor-geral da Associação Brasileira de Táxis Aéreos (Abtaer), comandante Domingos Afonso Almeida de Deus, classificou como “terrível” o cenário de operações comerciais clandestinas no Brasil.

O comandante participou da apuração de grandes tragédias da história da aviação, como a queda do voo 447 da Air France, que deixou 228 mortos em 2009, e o acidente com o Airbus A320 da TAM, em 2007, com 199 mortos.

De acordo com ele, quando a aeronave tem autorização para fazer transporte de passageiros, há um programa de treinamento mais rigoroso, uma lista mínima de equipamentos, plano de resposta a emergências, plano de assistência a vítimas e familiares, e até exames antidoping.

Um piloto com pouca experiência, segundo Afonso, pode ter dificuldades para voar entre nuvens sem visibilidade, por exemplo. “As investigações vão dizer se houve desorientação espacial”, explicou.

A Abtaer cobra medidas da Anac para inibir a prática. Além de aprimorar a fiscalização, para o diretor-geral, é necessário que haja simplificação no site da agência para que as próprias pessoas possam buscar informações sobre o serviço.

Na Câmara dos Deputados, um projeto de lei (PL 2273/2019) de Coronel Tadeu (PSL-SP) quer tornar o táxi aéreo clandestino crime previsto no Código Penal.

“Uma coisa é pegar uma carona. No momento que a pessoa vende esse serviço, contrariando toda a regulamentação aérea, aí você tem um ato criminoso”, declarou o parlamentar.

Estrelato
O cantor realizou, nesse último fim de semana, show na cidade de Feira de Santana, na Bahia. Imagens da apresentação foram publicadas no Instagram do artista.

Ele estourou no Carnaval deste ano, com o hit Jenifer, que conta com 231,9 milhões de visualizações no YouTube. O artista se destacou pela mistura do sertanejo com o forró.

Jenifer foi composta em Goiânia, por Allef Rodrigues, Fred Wilian, João Palá, Junior Avelar, Junior Bolo, Leo Sousa, Thales Gui e Thawan Alves. A faixa chegou a ser desprezada pelo sertanejo Gusttavo Lima.

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