O alívio na PF após transferência de Bolsonaro para a Papudinha
Investigadores ouvidos pelo Metrópoles dizem que transferência de Bolsonaro para a Papudinha foi uma mudança acertada
atualizado
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O clima entre os servidores na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal após a transferência de Jair Bolsonaro (PL) para a Papudinha é considerado de alívio. A informação foi apurada pelo Metrópoles junto a integrantes da corporação.
A permanência de Bolsonaro na Superintendência da PF, segundo investigadores, havia provocado mudanças significativas na rotina e na logística do local, e a transferência para a unidade prisional foi vista como a decisão mais adequada.
A troca de unidade prisional ocorreu nessa quinta-feira (15/1), por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela execução da pena do ex-presidente.
Bolsonaro deixou a Superintendência da PF e passou a ocupar uma Sala de Estado Maior no 19º Batalhão da Polícia Militar, a chamada Papudinha, anexa ao Complexo Penitenciário da Papuda.
De acordo com investigadores, alas da PF – especialmente as que atuam na Superintendência – avaliam que a saída de Bolsonaro “desafogou” a estrutura do prédio. Internamente, já havia o entendimento de que o local não tinha condições adequadas para uma custódia de longo prazo, sendo mais apropriado para detenções temporárias ou cautelares. Essa avaliação já existia antes da condenação de Bolsonaro pela Primeira Turma, em setembro do ano passado.
A avaliação é de que, na Papudinha, o ex-presidente terá um espaço mais amplo e condições mais compatíveis com a situação jurídica dele, o que também reduz a pressão operacional sobre a PF. Por isso, a transferência é considerada acertada pela maioria dos agentes e servidores envolvidos na custódia.
Bolsonaro na prisão
- O ex-presidente Jair Bolsonaro estava detido desde 22 de novembro de 2025 na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
- Nos últimos dias, a defesa dele protocolou diversos requerimentos pedindo a conversão da prisão para o regime domiciliar. Os advogados também questionaram as condições da unidade da PF e chegaram a solicitar a instalação de uma televisão com acesso à internet.
- O ministro do STF Alexandre de Moraes rejeitou os pedidos, afirmou que Bolsonaro tinha privilégios e rebateu as críticas de filhos e aliados de Bolsonaro ao local.
- Segundo Moraes, a transferência para a Papudinha garantirá condições ainda mais adequadas para o cumprimento da medida.
- O ministro autorizou visitas semanais da esposa, Michelle Bolsonaro, e dos filhos, além de permitir o fornecimento diário de marmitas.
Transferência de Bolsonaro para a Papudinha
Ao estabelecer a transferência, o ministro Alexandre de Moraes determinou que Jair Bolsonaro fique em uma sala de Estado-maior no 19º BPM. O espaço é semelhante ao ocupado por Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, e Silvinei Vasques, ex-diretor da PRF — ambos também condenados. A cela tem capacidade para quatro pessoas, mas será usada exclusivamente pelo ex-presidente.
O ministro estabeleceu ainda uma série de condições específicas para a custódia, entre elas:
- assistência médica integral por médicos particulares previamente cadastrados, 24 horas por dia;
- deslocamento imediato para hospitais em caso de urgência, com comunicação ao STF em até 24 horas;
- autorização para sessões de fisioterapia, com profissionais cadastrados;
- alimentação especial diária, com pessoa indicada pela defesa para entrega;
- atendimento médico em regime de plantão pelo sistema penitenciário;
- visitas semanais de esposa e filhos;
- assistência religiosa com dois líderes indicados;
- permissão para leitura;
- instalação de barras de apoio na cama e aparelhos de fisioterapia, como esteira e bicicleta.
O pedido da defesa para acesso a uma Smart TV foi rejeitado.
Como é a Papudinha
A Papudinha fica a poucos metros das unidades da Papuda destinadas a presos comuns, no Jardim Botânico (DF), e tem capacidade para 60 detentos.
O prédio tem oito celas em formato de alojamentos coletivos, cada uma com banheiro, chuveiro, cozinha, lavanderia, quarto e sala. As instalações foram reformadas em 2020.

Os custodiados podem receber itens de higiene, limpeza, roupas e enxoval definidos pela administração penitenciária. Também é permitido o uso de televisores e ventiladores, conforme as regras internas.
A unidade conta ainda com sala exclusiva para atendimento de advogados, consultório médico com atendimentos semanais e áreas para prática esportiva, incluindo pista de caminhada.
O Núcleo de Custódia da Polícia Militar (NCPM), onde fica a Papudinha, é destinado a militares estaduais ainda vinculados à corporação, militares aguardando possível perda do cargo e civis com direito à sala de Estado-maior – como advogados inscritos na OAB e determinadas autoridades.
A fiscalização do local é feita pela Vara de Execuções Penais (VEP), responsável por acompanhar o cumprimento de penas e medidas de segurança no Distrito Federal.




































