6×1: governo Lula enviará PL com urgência caso não avance no Congresso

Ministro Guilherme Boulos afirmou que Lula apresentará projeto se governo identificar uma “estratégia de enrolação” por parte do Congresso

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Luis Nova/Especial Metrópoles
lula-boulos
1 de 1 lula-boulos - Foto: Luis Nova/Especial Metrópoles

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, afirmou nesta terça-feira (17/3) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviará um projeto de lei com regime de urgência sobre o fim da escala 6×1 se o governo federal identificar uma “estratégia de enrolação” por parte do Congresso para votar o tema.

“Se termina março, passa umas semanas e se percebe que está tendo uma estratégia de enrolação no Congresso, o Lula vai entrar com projeto de lei com regime de urgência. Aí, é obrigado a votar em até 45 dias, porque essa é a legislação, é a regra”, declarou Boulos em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

De acordo com o ministro, o titular do Planalto apresentará um texto com três pontos:

  • jornada de trabalho de, no máximo, cinco dias de trabalho para duas folgas (5×2);
  • redução de 44 para 40 horas semanais;
  • manutenção de salário, mesmo com a redução de carga horária.

O envio de um PL com regime de urgência obriga a Câmara dos Deputados e o Senado Federal a votarem o texto em até 45 dias em cada Casa. Do contrário, o projeto tranca as pautas de ambas, impedindo outras votações até que seja apreciado nos plenários de cada Casa Legislativa.

Segundo Boulos, “existe uma operação em curso contra o fim da 6×1“. Para o ministro, quem “comanda” essa ofensiva, além dos lobbies empresariais, é o presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, e os  “partidos da direita bolsonarista”, como União Brasil e Republicanos.

De acordo com ele, tais parlamentares deixam explícito que a estratégia da oposição no Congresso é não votar o texto. Por isso, o governo planeja o envio da proposta com urgência.

“Quem é contra vai ter de botar a sua digital lá e responder à sociedade por que não quer que o trabalhador e a trabalhadora brasileiros tenham mais tempo com as suas famílias”, pontuou.

O ministro também declarou que defender o fim da jornada de trabalho vigente atualmente é “a melhor forma de defender a família brasileira”, pois vai “garantir tempo para as pessoas ficarem com as suas famílias”.

“Nós vamos ter o fim da escala 6×1 aprovada neste ano, em tudo aquilo que depender do presidente Lula e do nosso governo”, garantiu Boulos.

Como mostrou o Metrópoles, uma pesquisa Datafolha divulgada no último fim de semana mostra que o apoio ao fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil atingiu 71% dos brasileiros.

O crescimento foi de 7 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior do instituto, feito no fim de 2024, quando 64% se diziam favoráveis.

Debate no Congresso

O debate sobre o tema está no Congresso Nacional e começou a avançar na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara nos últimos dias.

O relator da proposta no colegiado, deputado Paulo Azi (União-BA), afirmou, na última quarta-feira (11/3), que o texto deve ser votado pela comissão em abril.

O cronograma, porém, adia a previsão inicial do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Inicialmente, havia a expectativa de que a proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1 seria analisada pela comissão em março.

A CCJ é a primeira etapa de tramitação da PEC. O colegiado não debate o mérito da proposta nem alterações no texto. Aos integrantes da comissão cabe apenas avaliar se a matéria está de acordo com os princípios constitucionais e se pode continuar a tramitar na Câmara.

Paulo Azi afirmou que, se a proposta for aprovada pela CCJ, a expectativa é que Motta encaminhe a PEC diretamente para a próxima fase de análise: uma comissão especial. O relator afirmou que a criação desse colegiado, que poderá modificar o texto, deve ocorrer em maio.

De acordo com o parlamentar, Motta sinalizou que pretende levar a proposta ao plenário da Câmara antes do recesso parlamentar e do início da campanha eleitoral, previstos para julho e agosto.

O fim da escala 6×1 foi elencado como uma das prioridades do presidente da Câmara para 2026. O presidente Lula também escolheu a mudança da escala como um dos motes de sua campanha à reeleição — por isso, para o governo, é importante que seja votada o quanto antes.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?