Tarcísio, o aplicado aprendiz de Bolsonaro à espera do seu apoio

A mixuruca manifestação na Avenida Paulista

atualizado

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Foto colorida do governador Tarcísio de Freitas discursando em manifestação na Avenida Paulista - Metrópoles
1 de 1 Foto colorida do governador Tarcísio de Freitas discursando em manifestação na Avenida Paulista - Metrópoles - Foto: Reprodução/Instagram

Notável cinismo o dos que cercam Bolsonaro, discursam em atos públicos em sua defesa, e, quando interrogados por jornalistas, evitam comentar a decisão do Tribunal Superior Eleitoral que, por duas vezes, já condenou o ex-presidente à inelegibilidade até 2030.

É como se eles não soubessem disso, tampouco a massa bolsonarista em declínio que comparece às manifestações convocadas por Bolsonaro e o pastor Silas Malafaia. Ontem, na Avenida Paulista, havia 12,4 mil pessoas no horário de pico.

A marca equivale a cerca de um terço da manifestação realizada no mesmo local, no dia 6 de abril, quando Bolsonaro havia se tornado réu no Supremo Tribunal Federal e pressionava o Congresso a aprovar um projeto que o anistiasse e aos demais golpistas.

Em fevereiro do ano passado, 185 mil pessoas lotaram a Avenida Paulista para ouvir Bolsonaro desancar as investigações da Polícia Federal sobre a trama golpista. Não, não houve tentativas de golpe em dezembro de 2022 e em janeiro de 2023. Foi ilusão de ótica.

Bolsonaro, hoje, fala para a Barbie do Tinder, para os “malucos” que acamparam à porta de quarteis a pedir um golpe, para seus quatro filhos Zero e a madrasta deles, e para os aspirantes a candidato à Presidência da República que ambicionam seu apoio.

Um deles é Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, que corteja Bolsonaro de todas as formas possíveis, e que finge acreditar que o candidato a presidente será Bolsonaro, e não ele. Mas, como, se em breve, Bolsonaro será condenado e preso?

Dos quatro governadores que participaram do ato mixuruca da Avenida Paulista, Tarcísio foi o único que discursou. Gritou “fora, PT” muitas vezes, criticou o governo Lula e chamou Bolsonaro de “o maior líder político da história” do Brasil. Então propôs:

“Vamos dar essa resposta no ano que vem, porque vamos nos reencontrar com a esperança, com a nossa vocação de ser grande. Vamos nos reencontrar com esse líder”.

Maior líder político da história, Bolsonaro nunca foi. Se tivesse sido, não seria o único presidente que, uma vez candidato à reeleição, foi derrotado. Para desgosto da direita dita civilizada, Bolsonaro continua sendo o seu líder e o da direita em geral.

Tarcísio poliu a retórica para superar a desconfiança da família Bolsonaro que ainda duvida de sua sinceridade porque ele evita bater de frente com o Supremo Tribunal Federal:

“Podem tentar tirar a pessoa das urnas, mas nunca vão tirar do coração do povo. Jamais o Bolsonaro vai sair do coração de cada um de vocês. A missão do capitão não acabou, essa missão não acabou e ele ainda vai contribuir muito com o Brasil”.

Houve espaço para fake news na fala de Tarcísio. Ele disse que Bolsonaro criou o PIX. Quem criou foi o Banco Central à época do governo Michel Temer. E disse que Bolsonaro levou água ao Nordeste com a obra de transposição do Rio São Francisco.

A execução da obra atravessou os governos de Lula, os de Dilma e o de Temer. Eles entregaram mais de 90% da infraestrutura do empreendimento. Bolsonaro fez pouco para que a obra avançasse. Ou Tarcísio não sabe de nada dessas coisas ou mentiu de propósito.

À falta de convicção, ou por já descrer na força do seu lenga-lenga de que será candidato a presidente no próximo ano por cima de pau e pedra, Bolsonaro agora promete “mudar o destino do Brasil” se lhe derem “50% da Câmara dos Deputados e 50% do Senado”.

Sob tal condição, qualquer um mudaria, mas não necessariamente para melhor. No caso de Bolsonaro, mudaria  para pior.

 

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