Sócio da Precisa nega ter algo a ver com a morte de Getúlio Vargas

Danilo Trento entra sujo para depor à CPI da Covid-19 e sai de lá emporcalhado

atualizado 24/09/2021 9:24

Ao depoente na CPI da Covid-19 é dado o direito de falar durante 15 minutos antes de começar a ser interrogado. Era tal a disposição do advogado Danilo Trento, diretor institucional da Precisa Medicamentos, de permanecer calado que ele recusou o benefício.

Como a maioria dos que foram ouvidos até agora, ele compareceu para depor munido de um habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal que lhe assegurava o direito de não responder a perguntas que pudessem incriminá-lo, e de não ser preso.

Trento preferiu entender a ordem judicial como se ela lhe permitisse calar diante de qualquer pergunta. Ao cabo, seu comportamento sugeriu aos senadores que a resposta que ele desse a qualquer pergunta poderia deixá-lo em piores lençóis.

Usou e abusou da proteção adquirida, a ponto de não responder, por exemplo, qual era seu ofício; quantas vezes viajou a Las Vegas; quantas visitas fez ao Ministério da Saúde; o que foi fazer por lá; e se a Precisa está com seus bens bloqueados. Está, e é público.

O senador Eduardo Girão (PODEMOS-CE) apresentou registros de viagem de Trento a Las Vegas com ida no dia 23 de janeiro de 2020 e retorno no dia 27 de janeiro. Perguntou se ele encontrara autoridades brasileiras que estavam na cidade à mesma época.

Entre as autoridades, o atual ministro do Turismo e ex-presidente da Embratur, Gilson Machado, o senador Flávio Bolsonaro (PATRIOTAS-RJ) e o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que se reuniram com donos de cassinos. Trento calou-se.

O senador Fabiano Contarato (REDE-ES) perguntou a Trento o que os filhos dele pensarão do pai ao vê-lo fugir de todas as perguntas que lhe foram feitas. Depois de consultar sua advogada, ele invocou o direito ao silêncio para não responder.

Irritado, o senador Omar Aziz (PDS-AM), presidente da CPI, provocou-o de supetão: “O senhor teve algo a ver com a morte do presidente Getúlio Vargas?” Perplexo, Trento balançou a cabeça que não. Getúlio matou-se com um tiro no coração em 1954.

Trento foi dispensado de continuar a depor mais incriminado do que jamais esteve. A CPI quebrou seu sigilo fiscal e bancário. À saída, ainda foi obrigado a ouvir o comentário debochado do senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP), vice-presidente da CPI:

– Até agora só sabemos que o senhor não matou Getúlio Vargas.

Puro despiste. A CPI sabe muito mais sobre Trento do que ele imagina.