Quem é o candidato antissistema: Lula ou Flávio Bolsonaro?

Pense com calma e decida sem pressa. Ainda faltam 152 dias para as eleições de outubro

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Lula e Flávio Bolsonaro
1 de 1 Lula e Flávio Bolsonaro - Foto: Reprodução

Afinal de contas, quem é o verdadeiro “rebelde” dessa história? Se você abrir o Twitter ou ligar o rádio hoje, vai ouvir os dois lados jurando de pé junto que são a única salvação contra “o sistema”. Mas, ao analisarmos o cenário de 2026, a resposta é um belo e sonoro: depende de qual sistema você está falando.

Para entender essa bagunça, precisamos primeiro tirar a poeira da palavra. No Brasil, “sistema” virou um termo curinga; é aquele vilão invisível que culpamos quando as coisas não andam. Para uns, o sistema é o juiz de toga; para outros, o banqueiro de terno; e, para muitos, é simplesmente o político que está lá há trinta anos.

Lula, por exemplo, tenta um truque de mestre. Ele sabe que, após tantos anos de PT no poder, é difícil convencer alguém de que é um “novato”. Por isso, mudou o alvo. O sistema de Lula não é Brasília — onde ele circula como ninguém —, mas sim o mercado financeiro e a elite econômica. Ao abraçar pautas como o fim da escala 6×1, ele diz ao trabalhador: “Eu sou o único com coragem para enfrentar os donos do dinheiro”. É a estratégia do “velho conhecido” que ainda briga pelos pequenos.

Do outro lado, temos Flávio Bolsonaro. Ele carrega o sobrenome que virou sinônimo de “chutar o balde” em 2018. Para a base conservadora, Flávio é o herdeiro da luta contra o que chamam de “ditadura do Judiciário”. O sistema, na visão dele, mora nos tribunais superiores e nas redações dos grandes jornais. Só que Flávio joga um jogo diferente do pai. Enquanto Jair preferia o confronto direto, Flávio é um articulador ensaboado: toma café com o Centrão e negocia no Senado. É o candidato que fala como antissistema, mas se move com a agilidade de quem conhece cada corredor do poder.

Então, quem ganha o selo?

Se você acha que o sistema é o poder econômico que dita as regras do seu trabalho, Lula parecerá mais rebelde. Se você acredita que o sistema é o grupo de burocratas e juízes que mandam no país sem votos, Flávio será o seu candidato.

A verdade nua e crua é que ambos são, à sua maneira, peças fundamentais da engrenagem brasileira. Lula é a instituição que se recusa a envelhecer; Flávio é o herdeiro que aprendeu a usar as ferramentas do poder para tentar preservá-lo. Em 2026, o rótulo de “antissistema” serve menos para definir quem o político é e mais para apontar quem ele escolheu como inimigo da vez. Em 2022, Lula escolheu Bolsonaro e venceu. Agora, com o pai preso e inelegível, o alvo é o filho.

Para saber quem terá mais sucesso com esse discurso, pense sem pressa — afinal, ainda faltam 152 dias para 4 de outubro:

Veja quem consegue falar melhor ao bolso do eleitor.
Observe quem parece mais “perseguido” aos olhos do povo.
Note qual deles você consegue imaginar fora de um banquete oficial em Brasília (dica: provavelmente nenhum dos dois).

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