O sonho de João Doria é ter Sergio Moro como vice no ano que vem

Seu maior desafio, porém, será crescer nas pesquisas de intenção de voto e juntar os cacos do PSDB

atualizado 28/11/2021 8:24

Hugo Barreto/Metrópoles

João Doria é um fio desencapado. É da sua natureza. Se puder fazer algo com baixo custo político para ele, prefere o caminho inverso. É também ingovernável, segundo os que o cercam. Uma vez escolhido como candidato a presidente da República, seu maior desafio será juntar e colar os cacos do PSDB.

Dá-se por certo que lhe faltam condições para tal. Eduardo Leite, derrotado por ele nas prévias do partido, desejou-lhe boa sorte e defendeu a unidade do PSDB – mas no que depender do deputado Aécio Neves, não haverá. Aécio é Bolsonaro e só deixará de ser se Bolsonaro não tiver chances de se reeleger.

O sucesso subiu à cabeça de Doria depois que apenas em quatro anos se elegeu prefeito de São Paulo e governador. Antes nunca disputara uma eleição. Já quis mudar o nome do partido, o símbolo do partido (um tucano) e o presidente do partido, Bruno Araújo, ao sugerir-lhe que antecipasse o fim do seu mandato.

Mas não só. Quis expurgar Aécio do PSDB, e ainda não perdeu a esperança de fazê-lo. Acredita que conseguirá em breve, mas Aécio não quer sair. Ao tirar Rodrigo Garcia do DEM para ser candidato à sua sucessão no próximo ano, comprou briga com ACM Neto, presidente daquele partido, hoje em processo de fusão com o PSL.

Da fusão resultará o UNIÃO-BRASIL, com muito dinheiro dos fundos partidário e eleitoral, e vasto tempo de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. ACM Neto não quer conversa com Doria, mas parece querer com o ex-juiz Sergio Moro, aspirante à sucessão de Bolsonaro pelo PODEMOS.

Doria e Moro são amigos, trocam ideias com frequência e fazem promessas de apoio mútuo. Não descartam a hipótese de formarem uma chapa juntos. Doria acha que os atuais nomes interessados em concorrer à eleição como candidato da terceira via são perfeitamente descartáveis desde que ele cresça nas pesquisas.

Falta crescer. No momento, Moro aplica-lhe uma surra. Mas sua autoestima é tão poderosa que Doria acredita que ultrapassará Moro nas pesquisas até meados do ano que vem. Aí o céu será o limite.

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